Uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelou um suposto esquema de corrupção que teria desviado recursos públicos destinados ao desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A Operação Ouroboros, deflagrada nesta quinta-feira (9), resultou na prisão de cinco pessoas, entre elas o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, além de servidores e empresários suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável por fraudar contratos que somam R$ 86 milhões.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão. Onze pessoas foram denunciadas pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e peculato. As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf), do MPRJ.
Auditoria deu início às investigações
O caso teve origem em uma auditoria interna realizada no Instituto Rio Metrópole, autarquia estadual criada em 2018 para coordenar políticas públicas e projetos de desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo o governo fluminense, a auditoria identificou indícios de irregularidades em contratos administrativos firmados pela autarquia. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público, que aprofundou as investigações até chegar à operação deflagrada nesta quinta-feira.
De acordo com os investigadores, o grupo teria estruturado um sistema para direcionar licitações e favorecer empresas previamente escolhidas. Após a assinatura dos contratos, parte dos recursos públicos era desviada por meio de subcontratações consideradas fictícias.
Empresas eram usadas para movimentar dinheiro
As investigações apontam que duas empresas contratadas pelo IRM, Engeconsult Consultores Técnicos e R. Peotta Engenharia e Consultoria, firmavam contratos simulados com o Brazilian Institute of Organic (Instituto Bio).
Na avaliação do Ministério Público, a entidade funcionava como uma empresa de fachada para receber parte dos valores pagos pela autarquia. Depois de ingressar nas contas do instituto, o dinheiro era sacado em espécie e distribuído entre integrantes do esquema, dificultando o rastreamento dos recursos.
Outro ponto destacado na investigação são os sucessivos aditivos contratuais. Em um dos casos, um contrato recebeu acréscimo de aproximadamente R$ 58 milhões apenas em 2023, elevando significativamente o volume de recursos movimentados.
A “Mulher da Mala”
Um dos nomes centrais da investigação é o de Caroline Soares Barros, ex-fiscal do Instituto Rio Metrópole e fundadora do Instituto Bio.
Ela ficou conhecida pelos investigadores como “Mulher da Mala”, apelido atribuído após ser flagrada, em janeiro deste ano, sacando R$ 500 mil em espécie em uma agência bancária de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público, Caroline realizou pelo menos 13 saques, que totalizaram mais de R$ 3 milhões. As retiradas eram feitas sob escolta de funcionários de uma empresa privada de vigilância, fato considerado atípico pelos investigadores e que passou a integrar as provas da investigação.
Presidente da autarquia está entre os presos
Além de Caroline, foram presos:
- Davi Perini Vermelho, o Didê, presidente do Instituto Rio Metrópole;
- Franquis Dias Nepomuceno, delegado de polícia e diretor da autarquia;
- Marcelo Lopes da Silva, procurador do Estado e ex-procurador-geral do IRM;
- Amanda Íthala Santos da Paschoa, gestora de contratos da autarquia.
Já Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do instituto e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), não foi localizado e é considerado foragido.
Investigação pode avançar
O Ministério Público afirma que as provas reunidas indicam um esquema estruturado para o desvio de recursos públicos por meio da manipulação de processos licitatórios, contratos simulados e lavagem de dinheiro.
Com a apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais durante a operação, a expectativa é que as investigações avancem para identificar novos envolvidos e rastrear o destino dos recursos movimentados.
Até a publicação desta reportagem, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.


