Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli decidiram não votar no julgamento realizado nesta terça-feira (15) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Os dois anunciaram suas decisões no início da sessão, mas apresentaram fundamentos diferentes.
Nunes Marques declarou-se impedido. Antes, porém, utilizou sua manifestação para responder às informações encontradas no celular de Vorcaro que mencionam seu filho, o advogado Kevin Marques.
Toffoli declarou-se suspeito por motivo de foro íntimo e afirmou que sua decisão busca evitar constrangimentos ao Supremo.
Nunes nega relação com Vorcaro
Nunes Marques começou sua manifestação abordando diretamente as informações divulgadas nas últimas horas sobre seu filho.
Conversas extraídas do celular de Vorcaro mencionam Kevin Marques e pagamentos relacionados ao advogado.
Em uma das mensagens, Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, enviou a Vorcaro dados de Kevin acompanhados da expressão “Dominado aqui”.
Em outro diálogo, de julho de 2025, Rennó voltou a compartilhar os contatos do advogado e escreveu uma mensagem fazendo referência a “500 mil mês”.
Meses depois, em agosto, Rennó afirmou que entre os “pagamentos essenciais” estaria faltando a Consult Inteligência Tributária e voltou a enviar os dados de Kevin.
Nunes Marques negou que o filho tenha recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou diretamente do Banco Master.
O ministro também afirmou que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro e que não julgou processo envolvendo diretamente a instituição financeira.
Kevin Marques também nega ter prestado serviços ao Master ou a Vorcaro.
A defesa do advogado afirma que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviços jurídicos legítimos e sem qualquer relação com atuação perante o Supremo.
Segundo dados revelados na investigação, a Consult recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Ministro cita presidência do TSE
Depois de responder às informações envolvendo seu filho, Nunes Marques apresentou o fundamento utilizado para se afastar do julgamento.
O ministro preside atualmente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e argumentou que o caso analisado pelo Supremo pode produzir repercussões sobre o processo eleitoral de 2026.
Nunes afirmou que sua função à frente da Justiça Eleitoral exige que preserve uma posição de equilíbrio diante de uma disputa que adquiriu forte dimensão política.
“Eu não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”, afirmou.
Segundo Nunes Marques, sua responsabilidade como presidente do TSE e a necessidade de garantir equilíbrio durante as eleições pesaram na decisão.
Com a declaração de impedimento, o ministro deixou de participar da votação.
Toffoli declara suspeição por foro íntimo
Dias Toffoli anunciou em seguida que também não votaria.
O ministro, entretanto, fez questão de diferenciar sua situação da apresentada por Nunes Marques.
Toffoli não se declarou impedido.
Ele afirmou estar suspeito por motivo de foro íntimo, mecanismo que permite ao magistrado afastar-se de determinado julgamento por razões pessoais sem precisar detalhá-las publicamente.
“Me senti na obrigação também de preservar a Corte, de manifestar a minha suspeição por motivo de foro íntimo. Não impedimento. Por motivo de foro íntimo”, afirmou.
Segundo Toffoli, a decisão busca evitar qualquer constrangimento ao tribunal.
O ministro informou ainda que permaneceria no plenário durante a sessão.
“Eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei”, disse.
A decisão significa que Toffoli pode acompanhar os debates, mas não participa da formação do resultado.
Toffoli já havia deixado processos do Master
A declaração desta terça-feira ocorre depois de Toffoli já ter se afastado anteriormente de processos relacionados ao Banco Master.
O ministro foi relator de parte das investigações antes de deixar os casos após surgirem informações sobre negócios envolvendo pessoas próximas a ele e integrantes do grupo de Vorcaro.
Documentos das investigações também passaram a mencionar relações comerciais envolvendo um resort e estruturas financeiras ligadas ao ex-banqueiro.
Toffoli negou ter cometido qualquer irregularidade.
Ao declarar a suspeição nesta terça, o ministro evitou entrar novamente nos detalhes dessas relações e fundamentou sua decisão exclusivamente em motivo de foro íntimo e na intenção de preservar o Supremo.
As duas manifestações reduziram o número de integrantes aptos a participar da votação e, ao mesmo tempo, colocaram Nunes Marques e Toffoli fora de uma decisão que envolve informações encontradas no celular de Vorcaro e que alcançaram, direta ou indiretamente, pessoas próximas aos próprios ministros.


