Convocados sob o mote “Acorda Brasil”, atos organizados pelo Partido Lideral (PL) e grupos ligados à direita e à extrema direita brasileira foram realizados neste domingo (1º) em diversas capitais do país. As manifestações tiveram como principal alvo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em diferentes palanques, manifestantes entoaram palavras de ordem como “Fora, Toffoli!”, “Fora, Moraes!” e “Fora, Gilmar!”, em referência aos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. A pauta central foi a crítica ao Judiciário e a defesa de anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Apesar da mobilização nacional, a presença de público foi considerada inferior à registrada em grandes atos bolsonaristas anteriores, que chegaram a reunir milhares de pessoas em São Paulo e Brasília nos últimos anos. Em vários pontos do país, as concentrações foram pequenas, com participação majoritariamente formada por apoiadores já engajados.
São Paulo concentra principais discursos
Na capital paulista, onde tradicionalmente ocorrem os maiores atos políticos do campo conservador, a mobilização reuniu deputados federais e estaduais, senadores e pré-candidatos à Presidência da República.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, fez críticas diretas ao presidente Lula e defendeu uma reorganização da direita para disputar o poder nacional. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também subiu ao palanque e afirmou que é preciso união para enfrentar o que chamou de “sistema” instalado no país. Zema classificou ministros do STF como “intocáveis” e declarou que participará de quantas manifestações forem convocadas.
O senador Flávio Bolsonaro, escolhido pelo pai Jair Bolsonaro para a sucessão presidencial no campo conservador, criticou o governo federal e voltou a defender anistia “ampla e irrestrita” aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. Sem citar ministros nominalmente, afirmou que integrantes do STF podem sofrer impeachment caso cometam irregularidades.
Já o deputado federal Nikolas Ferreira adotou tom mais contundente. Em discurso inflamado, atacou diretamente o presidente Lula e ministros da Corte, defendendo a eleição de senadores comprometidos com a abertura de processos de impeachment no Supremo. O parlamentar levou ao palco uma criança apresentada como filha de um dos presos pelos atos de 8 de janeiro e criticou o que chamou de excessos judiciais.
O pastor Silas Malafaia, figura frequente em atos bolsonaristas, também discursou. Embora tenha mantido críticas ao Supremo, adotou postura considerada mais moderada em comparação com eventos anteriores.
Distrito Federal e outras capitais
No Distrito Federal, a concentração também teve público reduzido. Um policial presente ao ato afirmou, em entrevista a um veículo local, que a mobilização priorizava “qualidade, não quantidade”, em referência ao número menor de participantes.
Em outras capitais, como Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, os atos seguiram roteiro semelhante: críticas ao STF, defesa de anistia aos presos do 8 de janeiro e pouca participação popular.
União como palavra de ordem
Um dos pontos mais enfatizados nos discursos foi a necessidade de unificação do campo conservador. Lideranças destacaram que divergências internas precisam ser superadas para fortalecer candidaturas e enfrentar o que classificam como avanço do “ativismo judicial”.
Nos bastidores, contudo, é reconhecido que há disputas por protagonismo e divergências estratégicas dentro da própria direita, especialmente após a definição de Flávio Bolsonaro para liderar o campo nas próximas eleições presidenciais.






