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Home Notícias Brasil

Lula e Xi Jinping defendem acordo Mercosul-China e ampliam parceria estratégica em telefonema

Presidentes conversaram por mais de uma hora e reforçaram cooperação em comércio, inteligência artificial, minerais críticos e fertilizantes, além de defenderem atuação conjunta diante das crises internacionais

Por Redação
27 de julho de 2026 - 11:15
em Brasil
Lula propõe que ONU lidere regras globais para inteligência artificial

Crédito: Ricardo Stuckert

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite de domingo (26) e reafirmaram o interesse em aprofundar a parceria estratégica entre os dois países. A ligação, que durou mais de uma hora, teve como principal destaque a decisão de acelerar as tratativas para um futuro acordo comercial entre o Mercosul e a China, iniciativa considerada uma das prioridades da política externa brasileira para ampliar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais.

Segundo nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os dois líderes concordaram sobre a necessidade de avançar nas negociações “com as necessárias flexibilidades”, reconhecendo que um eventual acordo deverá atender às particularidades econômicas dos países do bloco sul-americano e da economia chinesa.

A conversa ocorre em um momento de mudanças no cenário do comércio internacional, marcado pelo aumento das tensões geopolíticas e pela busca do governo brasileiro por diversificar mercados para as exportações nacionais. Nos últimos meses, Lula tem defendido a ampliação da rede de acordos comerciais do Mercosul, que já negocia entendimentos com Japão, Canadá, Índia e Vietnã, além de demonstrar interesse em iniciar formalmente as negociações com a China.

Cooperação em tecnologia ganha prioridade

Além do comércio, Lula e Xi reiteraram o compromisso de ampliar a cooperação em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico dos dois países.

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Entre os setores destacados estão:

  • inteligência artificial;
  • tecnologia de satélites;
  • beneficiamento de minerais críticos;
  • comércio de fertilizantes.

A aproximação ocorre em um contexto de crescente competição tecnológica entre China e Estados Unidos e reforça a intenção brasileira de ampliar investimentos em inovação e infraestrutura, mantendo diálogo com diferentes parceiros internacionais.

Os presidentes também avaliaram positivamente iniciativas bilaterais já implementadas, como a isenção recíproca de vistos para viagens de curta duração, em vigor desde maio, e as atividades promovidas pelo Ano Cultural Brasil-China 2026, voltadas ao intercâmbio cultural, turístico e acadêmico entre os dois países.

Xi manifesta apoio ao Brasil diante de “interferências externas”

De acordo com a agência oficial chinesa Xinhua, Xi Jinping afirmou que Pequim apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e se opõe a “interferências externas”. Embora o comunicado chinês não cite diretamente os Estados Unidos, a declaração ocorre em meio às recentes tensões comerciais entre Brasília e Washington e ao aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

Xi também afirmou que Brasil e China, como importantes representantes do Sul Global, devem fortalecer a coordenação estratégica tanto nas relações bilaterais quanto nos organismos multilaterais e desempenhar papel mais ativo na reforma da governança global.

Conflitos internacionais preocupam líderes

Durante a conversa, Lula e Xi dedicaram parte significativa do diálogo aos principais conflitos internacionais e seus reflexos sobre a economia mundial.

Os dois presidentes demonstraram preocupação com a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza e alertaram para os impactos da instabilidade no Oriente Médio sobre a segurança alimentar, energética e o comércio internacional.

Os líderes também chamaram atenção para as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, rotas consideradas estratégicas para o transporte global de petróleo e mercadorias, cuja instabilidade pode provocar aumento dos custos logísticos e pressionar os preços internacionais.

Defesa do multilateralismo

Outro tema discutido foi a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Lula e Xi voltaram a defender o papel do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa diplomática liderada por Brasil e China no âmbito das Nações Unidas para incentivar negociações entre as partes e buscar uma solução negociada para o conflito.

Os dois presidentes também criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em responder às crises internacionais e reafirmaram o compromisso com o fortalecimento do multilateralismo e da coordenação entre os países em fóruns como a ONU e o BRICS.

A conversa reforça a aproximação entre Brasília e Pequim em um momento de reconfiguração das relações econômicas globais. Atualmente, a China é o principal parceiro comercial do Brasil e responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras, especialmente de soja, minério de ferro, petróleo e proteínas animais. A perspectiva de um acordo entre Mercosul e China poderá representar um dos maiores avanços da agenda comercial do bloco sul-americano nas próximas décadas, embora as negociações ainda estejam em fase inicial.

Tags: BricsChinacomércio exteriorfertilizantesInteligência ArtificialLulaMercosulrelações internacionaisXi Jinping
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