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Home Colunas

LAPI, DO ‘JB’ AO ‘PASQUIM’

Por Ediel Ribeiro
6 de julho de 2020 - 05:26
em Colunas

Lapi (Divulgação)

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Rio de Janeiro – Luís Antônio Pires , foi um jornalista, artista gráfico, artista plástico, poeta e ativista político brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 1941.

Considerado um dos mais importantes cartunistas brasileiros, Lapi – nome que tornou-se sua marca registrada – teve suas primeiras charges publicadas no extinto “O Jornal”, dos Diários Associados.

Trabalhou ainda no “Jornal do Brasil”, foi colaborador dos jornais “O Pasquim” – onde ilustrava a página “Underground”, do Luiz Carlos Maciel – “Rolling Stone” e “Adiante”, além de criar, em 1973, o “Cordel Urbano”, inspirado nos livretos do cordel nordestino.

Na versão brasileira do jornal musical “Rolling Stone”, nos anos 70, Lapi fez o projeto gráfico e produziu ilustrações e cartuns sobre temas psicodélicos, voltado para o público jovem interessado em contracultura e rock and roll.

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O cartunista foi fundamental na criação da Fundação Nacional de Humor do Piauí, e no Salão Internacional de Humor do Piauí, tendo, inclusive, participado de todas as edições.

Em 1994, junto com o artista plástico e escultor Zé Andrade, criou uma espécie de “calçada da fama das mãos”, um mural para eternizar as mãos talentosas de grandes artistas que passaram pelo Salão do Piauí; entre eles Jaguar, Millôr, Henfil, Duayer…

No livro “Historia Del Humor Gráfico En El Brasil”, do cartunista Lailson de Holanda – publicado na Espanha pela Editorial Milenio/Universidad de Alcalá de Henares, 2005 – o autor conta que o artista plástico, criou grandes projetos de arte com participação popular, pintando, com a colaboração de mais de 600 artistas, mais de 16 km de paredes no Rio de Janeiro.

Outro grande projeto de Lapi, segundo Lailson, foi a pintura de casas na favela da Rocinha, Morro Dona Marta e na entrada do Túnel Velho, em Copacabana, e no Hospital Pinel, em Botafogo. Projeto que, mais tarde, ele levou para Barras de Caravelas (Bahia), criando, assim, uma grande obra pictórica com elementos da realidade.

Entre nós, cartunistas, ele era o que tinha mais histórias para contar. E gostava de contá-las. Era irreverente, sarcástico e muito louco.

Apesar de só beber Coca-Cola (como Liberati, outro abstêmio) gostava de se reunir em bares, com amigos, para contar suas histórias.

Certa vez, ele plantou um pé de maconha no jardim interno da redação do “Pasquim”, na Saint-Roman, em Copacabana e sempre que ia lá, ficava de olho para ver se a planta crescia. Para sua frustração, a plantinha nunca cresceu.  

Em suas “viagens”, Lapi dizia que era descendente de nobres alemães. Filho de uma negra brasileira com um nobre alemão e se intitulava “Barão de Fon Se Fundem”.

Para o pesquisador de desenho de humor, Luiz Fernando Carvalho, Lapi era uma junção de Dom Quixote com Barão de Munchausen.

Lapi era um artista urbano. Sua arte, ainda hoje, pode ser vista no Bar Simplesmente e em outros pontos do bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde ele viveu seus últimos anos de vida.

Por seu trabalho junto à educação artística infantil, recebeu em 1992 o “Prêmio Mundial de Arte One”, oferecido pela UNICEF e pela BBC em Londres, sendo o primeiro e único brasileiro a recebê-lo.

Lapi morreu aos 60 anos, de infarto, no Rio de Janeiro, em 8 de fevereiro de 2001

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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