– Marineth, em 1976, há 50 anos, completados neste 2026, Paulinho da Viola ousou lançar, com a competência que lhe é peculiar, os LPs Memórias cantando e Memórias chorando. Ocê sabe, trata-se de um marco histórico na trajetória da MPB – Música Popular Brasileira. Admirado e respeitado no universo artístico, também, na legião ampla de fãs, como Príncipe do Samba, ele transmiti ao público, em geral, uma satisfação musical única e infinita com aqueles discos.
– Athaliba, a outorga do título Príncipe do Samba não é originária de disputa de concurso. Ao contrário, foi conferida de forma natural, espontânea, instintiva ao músico, compositor e cantor Paulo César Batista de Faria. Isso se deve à elegância artística dele, que nutre profundo respeito às tradições, aos mestres antigos. Passa, ainda, pela delicadeza poética e harmoniosa das suas composições; ao refinamento singular ao gênero do samba de tocar violão e cavaquinho.
– Bem, Marineth, com respeito à sua pieguice pelo artista, pois é atitude típica e natural dos admiradores dele, vamos ao disco Memórias cantando. Integram o repertório “Coisas do mundo, minha nega”, “Perdoa”, “Abre os teus olhos”, “Cantando”, “Velório do Heitor”, “Meu novo sapato” e “O carnaval acabou”, todas de Paulinho da Viola. E “Dívidas”, parceria dele com Elton Medeiros e “Vela no breu”, dele e Sérgio Natureza. Além de “Pra que mentir”, de Noel Rosa e Vadico; “Nova ilusão”, de Claudionor Cruz e Pedro Caetano e “Mente ao meu coração”, de Francisco Malfitano.
– Athaliba, quais as músicas no disco Memórias chorando?
– Marineth, o repertório é aberto com “Cinco companheiros”, de Pixinguinha, acompanhada de “Chorando”, de Ary Barroso. “Cochichando”, de Alberto Ribeiro, João de Barro (Braguinha) e Pixinguinha; “Cuidado colega”, de Benedito Lacerda e Pixinguinha e “Segura ele”, de Pixinguinha. As demais faixas do álbum são de Paulinho da Viola: “Romanceando”, “Rosinha, essa menina”, “Oração de outono”, “Beliscando”, “Inesquecível” e “Choro de memórias”.
– Athaliba, ocê sabe quais os músicos que participaram das gravações?
– Marineth, importante sinalizar que as capas dos LPs são do saudoso designer gráfico e ilustrador Elifas Andreato. Ele é autor de artes de discos de consagrados artistas, como Vinícius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, Elis Regina, Martinho da Vila e Adoniran Barbosa. E nos Memórias cantando e Memórias chorando, tanto num quanto no outro, o violão de destaque é de Benedito César Ramos de Faria, pai de Paulinho da viola, que integrou o Época de Ouro.
– Athaliba, ainda sobre a gravação dos discos, quais outros músicos ocê destaca?
– Marineth, englobando os dois discos, temos as participações duplas de Chiquinho, no bandolim; Copinha, na flauta, clarinete e sax; Cristovão Bastos, no piano e piano elétrico; Dininho, baixo elétrico, agogô e chocalho; Elton Medeiros, no pandeiro, caixa de fósforos; Hércules Pereira Nunes, na bateria e surdo; Jorginho do Pandeiro, no prato e faca; e além de Marçal, na cuíca; Chaplin, no afoxé, surdo, agogô, chocalho, reco-reco e tumbas; Rafael, no reco-reco, tamborim e afoxé; Dazinho, no pandeiro; Elizeu Felix, no tamborim; e Airton Barbosa, no fagote.
– Athaliba, instrumentistas de primeira grandeza, né?
– Sim, Marineth. O Paulinho da Viola participou tocando violão e cavaquinho, além, claro, da voz e da produção artística. Ele dividiu os arranjos solistas com Copinha e Cristovão Bastos; e os arranjos musicais com Cristovão Bastos. No coro atuaram Benedito César Ramos de Faria, Elton Medeiros, Bethy, Chaplin, Dininho, Rafael, Mareuza e Sérgio Natureza.- Athaliba, quero que ocê saiba que a minha tietice pelo artista Paulinho da Viola é tão igual e profunda como de outros tantos milhares de fervorosos admiradores dele. Assim como admiro o Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan, Bethânia, Gal, Milton, Jorge Aragão, João Nogueira, Clara Nunes, Belchior, Chico Buarque, Elis Regina, Emilio Santiago, Geraldo Vandré, Baden Powell, Nara Leão, Oswaldo Montenegro, Martinho da Vila, Leila Pinheiro, entre outros.
– Marineth, ocê tem bom gosto musical. Ainda bem. E para saber mais sobre o compositor, cantor e músico que idolatra, venera, sugiro que leia Paulinho da Viola – Sambista e chorão, biografia escrita pelo jornalista João Máximo. Ele, em parceria com o pesquisador Carlos Didier, também é autor do livro Noel Rosa: uma biografia. No livro Paulinho da Viola e o elogio do amor, a autora Eliete Negreiros faz uma reflexão sobre a representação do amor na obra dele e sua inscrição no âmbito da tradição do pensamento e da lírica ocidental.
– Athaliba, eu sou uma cidadã de sorte, pois existo no tempo do Príncipe do Samba.



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