O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) que deixará o comando do governo britânico, encerrando um mandato que durou menos de dois anos. A decisão abre caminho para mais uma mudança no poder em Londres e pode levar o país a ter seu sétimo primeiro-ministro em apenas dez anos.
Em pronunciamento realizado diante da residência oficial em Downing Street, Starmer afirmou ter compreendido que parte significativa de seu partido não o considerava mais o nome ideal para liderar os trabalhistas na próxima eleição geral. Segundo ele, o processo de escolha do sucessor começará oficialmente em 9 de julho, com a expectativa de que uma nova liderança esteja definida antes da retomada dos trabalhos do Parlamento, em setembro.
A renúncia ocorre após semanas de intensa pressão interna dentro do Partido Trabalhista. O governo vinha enfrentando desgaste político provocado pela queda nos índices de aprovação, resultados considerados decepcionantes nas eleições locais realizadas em maio e críticas à condução de temas econômicos e sociais.
Fim precoce de um governo que prometia estabilidade
Quando venceu as eleições gerais de 2024 com ampla maioria parlamentar, Starmer foi apresentado como o líder capaz de encerrar um longo período de instabilidade política iniciado após o Brexit.
A expectativa era de que o líder trabalhista oferecesse ao país um ciclo de maior previsibilidade após os governos de David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss e Rishi Sunak. No entanto, a permanência de Starmer no cargo acabou sendo mais curta do que o esperado.
Analistas políticos britânicos apontam que a combinação entre dificuldades econômicas, crise no custo de vida e disputas internas dentro do partido contribuiu para o enfraquecimento da liderança do premiê.
Andy Burnham desponta como favorito
O principal nome para assumir o comando do governo é Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester e recém-eleito para a Câmara dos Comuns após vencer uma eleição suplementar na circunscrição de Makerfield.
Burnham já confirmou que disputará a liderança trabalhista e vem recebendo apoio de importantes figuras do partido, incluindo o ex-ministro da Saúde Wes Streeting, que abriu mão de concorrer ao cargo.
Pesquisas recentes indicavam que Burnham era o nome preferido entre os britânicos para substituir Starmer caso houvesse uma troca de liderança.
Nos bastidores, cresce a expectativa de que a sucessão ocorra de forma rápida, sem uma disputa interna prolongada, o que poderia acelerar sua chegada ao cargo de primeiro-ministro ainda durante o mês de julho.
Mercados acompanham transição
A saída de Starmer também foi observada pelos mercados financeiros internacionais. Embora a reação inicial tenha sido moderada, analistas avaliam que a definição da nova liderança poderá influenciar a política fiscal britânica e o rumo da economia nos próximos anos.
Até a escolha do sucessor, Starmer permanecerá como primeiro-ministro interino, responsável pela transição de governo e pela condução dos principais compromissos internacionais do Reino Unido.






