A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual e tornou réus a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, o líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e outras três pessoas investigadas por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior paulista, que reconheceu a existência de elementos suficientes para a abertura da ação penal. Os acusados responderão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O processo tramita sob sigilo judicial.
Investigação aponta estrutura para ocultar recursos
De acordo com a denúncia do Ministério Público, dois dos investigados exerciam funções de liderança dentro do PCC, enquanto os demais teriam participado da movimentação financeira responsável por ocultar a origem dos recursos e reinseri-los na economia formal.
As investigações apontam que uma empresa do setor de transportes teria sido utilizada como instrumento para movimentar valores atribuídos à facção.
Segundo os promotores, o esquema incluía depósitos fracionados, transferências via Pix, utilização de contas bancárias de terceiros e empresas interpostas para dificultar o rastreamento do dinheiro.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens de um dos investigados apontados como operadores financeiros da estrutura.
Operação identificou movimentações suspeitas
As apurações foram conduzidas a partir de informações obtidas em operações anteriores contra o PCC e reuniram elementos como relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, comprovantes de depósitos e mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos durante as investigações.
Segundo o Ministério Público, o conjunto de provas permitiu mapear a suposta rede financeira utilizada para ocultar recursos oriundos de atividades criminosas.
Deolane está presa desde maio
A influenciadora Deolane Bezerra foi presa em maio durante a Operação Vérnix, investigação que apura a utilização de empresas e movimentações financeiras para lavar recursos ligados ao PCC.
Atualmente, ela está custodiada na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.
Os investigadores sustentam que a influenciadora teria recebido recursos provenientes de uma transportadora apontada como empresa de fachada da organização criminosa.
Já Marcola, considerado a principal liderança do PCC, permanece preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena sob rígido regime de segurança.
Defesa contesta acusações
Os advogados dos acusados negam qualquer envolvimento com os crimes apontados pelo Ministério Público.
Em nota, o advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola, de seus familiares e de outro investigado, afirmou que as acusações carecem de fundamento.
A defesa argumenta que Marcola e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior estão recolhidos em presídios federais de segurança máxima desde 2019, submetidos a severas restrições de comunicação, o que tornaria inviável qualquer participação direta nos fatos descritos pela acusação.
Os advogados também sustentam que o parentesco entre alguns dos denunciados não pode ser interpretado como prova de participação em atividades criminosas.
Segundo a defesa, todas as medidas judiciais cabíveis serão adotadas para contestar as acusações durante a fase de instrução processual.
Próximas etapas
Com o recebimento da denúncia, inicia-se oficialmente a ação penal. A partir de agora, acusação e defesa poderão apresentar provas, ouvir testemunhas e produzir novos elementos para subsidiar o julgamento.
Ao final da instrução, a Justiça decidirá pela condenação ou absolvição dos réus.
O Ministério Público sustenta que a organização investigada operava uma sofisticada estrutura de movimentação financeira destinada a ocultar recursos atribuídos ao PCC, enquanto as defesas afirmam que as acusações serão derrubadas ao longo do processo.






