Há um mês, uma entrega de sofá em um condomínio de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terminava em uma confusão que rapidamente ganhou repercussão nacional. De um lado estava um homem de 36 anos, policial rodoviário federal que fazia a entrega durante sua folga. Do outro, a pastora Renata Vieira, então pré-candidata a deputada estadual pelo PL de Minas Gerais.
Vídeos gravados no local mostram Renata discutindo com o trabalhador, desferindo tapas contra ele, arremessando uma pedra em sua direção e, posteriormente, entrando em confronto físico. O entregador aparece tentando se afastar em diferentes momentos das gravações.
Renata apresentou outra versão para o início da confusão. Afirmou ter sido hostilizada após ser reconhecida como apoiadora do bolsonarismo e sustentou que teria sido agredida antes de reagir. Posteriormente, admitiu ter errado ao partir para o confronto físico.
“Eu sei que errei. Poderia não ter revidado e não ter entrado em luta corporal”, declarou na ocasião.
A alegada motivação política para a discussão, entretanto, não havia sido confirmada pelas autoridades nas últimas informações públicas sobre a investigação.
Consequências foram mais rápidas na política
Se o episódio policial ainda não teve um desfecho conhecido, na política as consequências apareceram rapidamente.
Renata se preparava para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo PL. Com a repercussão das imagens, o diretório mineiro encaminhou seu caso ao Conselho de Ética da legenda.
O presidente estadual do partido, deputado federal Zé Vitor, afirmou que a abertura do procedimento interno impedia a candidatura pelas regras do PL. Com isso, a pastora acabou fora da chapa.
Renata tentou reverter a situação no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG). Alegou que estava sendo punida antes da conclusão do processo disciplinar e pediu que a Justiça obrigasse o partido a permitir sua participação na definição das candidaturas.
A tentativa não prosperou. Em 28 de julho, o juiz Vinícius Diniz Monteiro de Barros negou o pedido de liminar.
Pouco depois, Renata anunciou que estava deixando a política. Em publicação nas redes sociais, afirmou que passaria a priorizar a família e criticou o ambiente político. Em uma das declarações de maior repercussão, disse não querer ser “mais uma Marielle”, sem explicar de forma mais detalhada a comparação.
Assim, em questão de dias, uma pré-candidatura que vinha sendo construída dentro do PL chegou ao fim.
E a investigação sobre a briga?
Essa é a parte da história que permanece sem uma conclusão pública conhecida.
Após a confusão, Renata Vieira e o entregador foram ouvidos por meio da 2ª Central Estadual do Plantão Digital e liberados. A Polícia Civil informou na época que um procedimento havia sido instaurado para apurar o ocorrido.
Passado um mês, O Folha de Minas não encontrou, nas fontes públicas consultadas, informação de conclusão da investigação, indiciamento, denúncia apresentada pelo Ministério Público ou abertura de ação penal relacionada à briga.
Portanto, pelas informações disponíveis até esta segunda-feira (17), não é correto afirmar que a pastora esteja sendo julgada criminalmente pelo episódio.
O que se sabe é que a repercussão daquele vídeo teve efeitos imediatos fora da esfera criminal. Renata perdeu a possibilidade de disputar as eleições pelo PL, tentou sem sucesso reverter a situação na Justiça Eleitoral e, posteriormente, anunciou sua saída da política.
Um mês depois da entrega de sofá que terminou em briga em Contagem, o desfecho concreto do caso até agora não veio dos tribunais, mas da política.


