A inflação oficial do país perdeu força pelo quarto mês consecutivo e registrou, em junho, o menor resultado desde outubro do ano passado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,16%, impulsionado principalmente pela queda no preço dos alimentos, informou nesta sexta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro, que projetava uma inflação de aproximadamente 0,32% para o mês. No acumulado de 12 meses, o índice passou de 4,72% para 4,64%, permanecendo acima do teto da meta de inflação, fixado em 4,5%, mas mostrando desaceleração em relação aos meses anteriores.
No primeiro semestre de 2026, a inflação acumulada chegou a 3,36%.
Alimentos voltam a ficar mais baratos
O principal fator para a desaceleração da inflação foi o grupo Alimentação e Bebidas, que registrou queda média de 0,24%, a primeira deflação desde novembro de 2025.
Dentro desse grupo, os alimentos consumidos em casa ficaram, em média, 0,39% mais baratos, refletindo maior oferta de alguns produtos e a acomodação de preços que haviam subido fortemente nos últimos meses.
Entre os itens que mais contribuíram para reduzir o custo da alimentação estão:
- Café moído: -3,72%
- Frutas: -1,58%
- Carnes: -0,64%
- Açaí (emulsão): -14,41%
- Óleo de soja: -2,78%
- Tomate: -2,02%
Segundo o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, a queda representa uma tendência de normalização em alguns segmentos da alimentação, especialmente daqueles que haviam registrado altas expressivas ao longo do último ano.
Já a alimentação fora de casa continuou em alta, embora de forma moderada, com avanço de 0,15%.
Conta de luz impede inflação ainda menor
Apesar da redução no preço dos alimentos, alguns itens continuaram pressionando o orçamento das famílias.
O grupo Habitação apresentou a maior alta entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, com avanço de 0,63%.
A principal influência veio da energia elétrica residencial, que subiu 1,53% em junho. O aumento foi provocado pela manutenção da bandeira tarifária amarela e pelos reajustes autorizados em distribuidoras que atendem cidades como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.
Como o IPCA mede a inflação nacional, reajustes regionais também impactam o resultado final do índice.
Passagens aéreas sobem; combustíveis recuam
O grupo Transportes também exerceu pressão sobre a inflação, embora em intensidade menor.
As passagens aéreas registraram alta de 7,12%, refletindo o aumento da demanda durante o período de férias escolares.
Em contrapartida, os combustíveis ficaram, em média, 0,48% mais baratos.
As principais variações foram:
- Etanol: -3,09%
- Óleo diesel: -1,19%
- Gasolina: -0,12%
- Gás veicular: -0,19%
A redução dos combustíveis ajudou a compensar parte do impacto provocado pela alta da energia elétrica.
Inflação continua acima da meta
Embora os números indiquem perda de ritmo da inflação, o índice acumulado em 12 meses ainda permanece acima do limite máximo estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional.
A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Desde este ano, o Banco Central passou a avaliar o cumprimento da meta considerando os 12 meses imediatamente anteriores. O objetivo será considerado descumprido apenas se a inflação permanecer acima do intervalo de tolerância durante seis meses consecutivos.
Mercado acompanha próximos passos dos juros
A desaceleração observada em junho reforça a percepção de que a inflação começa a responder ao ambiente de juros elevados mantido pelo Banco Central.
Economistas, entretanto, avaliam que ainda é cedo para concluir que o processo de controle da inflação está consolidado. A evolução dos preços dos serviços, da energia e do cenário internacional continuará sendo determinante para as próximas decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).
Enquanto isso, a queda dos alimentos representa um alívio para o orçamento das famílias, principalmente das camadas de menor renda, que destinam parcela maior dos ganhos mensais à alimentação.


