Os brasileiros retiraram mais dinheiro da caderneta de poupança do que depositaram nos seis primeiros meses de 2026. Dados divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central mostram que as retiradas líquidas somaram R$ 39,356 bilhões entre janeiro e junho, mantendo a sequência de perda de recursos da modalidade de investimento mais tradicional do país.
O resultado representa o 11º semestre consecutivo em que os saques superam os depósitos. No período, foram registrados cerca de R$ 2,136 trilhões em depósitos e R$ 2,175 trilhões em retiradas, ampliando a tendência observada desde 2021.
Apesar do saldo negativo, o desempenho foi melhor do que o registrado no primeiro semestre de 2025, quando a saída líquida alcançou aproximadamente R$ 49,6 bilhões, indicando uma desaceleração no ritmo dos resgates.
Junho também fechou no vermelho
Somente em junho, os saques voltaram a superar os depósitos, ainda que de forma mais moderada. O saldo líquido negativo foi de R$ 237,5 milhões, encerrando a breve recuperação observada em maio.
O quinto mês do ano foi o único de 2026 com resultado positivo para a poupança. Na ocasião, a aplicação registrou entrada líquida de aproximadamente R$ 2,6 bilhões, insuficiente para compensar as perdas acumuladas nos demais meses.
Os maiores impactos ocorreram em janeiro, quando os resgates líquidos chegaram a R$ 23,5 bilhões, e em março, com saídas de R$ 11,1 bilhões.
Patrimônio permanece acima de R$ 1 trilhão
Mesmo com a retirada expressiva de recursos, a caderneta de poupança continua concentrando um patrimônio superior a R$ 1 trilhão.
Segundo o Banco Central, o saldo das aplicações encerrou junho em R$ 1,020 trilhão, praticamente o mesmo nível observado no mesmo período do ano passado, quando o estoque era de R$ 1,019 trilhão. Em maio, impulsionado pela captação positiva, o montante havia alcançado R$ 1,028 trilhão, mas voltou a recuar com os resgates registrados em junho.
Juros elevados reduzem atratividade da poupança
Especialistas apontam que o cenário de juros elevados continua sendo um dos principais fatores por trás da migração de investidores para outras modalidades de renda fixa.
Com a taxa Selic ainda acima de 8,5% ao ano, a poupança segue remunerando 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Embora mantenha características como isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas e liquidez imediata, seu rendimento tem ficado abaixo de aplicações como Tesouro Selic, CDBs e fundos referenciados, que acompanham de forma mais próxima a taxa básica de juros.
Ainda assim, a poupança permanece como uma das principais portas de entrada para pequenos investidores, principalmente pela simplicidade de funcionamento e facilidade de acesso.


