A exumação dos corpos dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas ocorre nesta segunda-feira (23) no BioParque Cemitério, em Guarulhos, quase três décadas após o acidente aéreo que encerrou a trajetória meteórica do grupo em 2 de março de 1996. A decisão familiar foi tomada com o objetivo de transformar parte das cinzas resultantes da cremação em adubo para o plantio de cinco árvores, uma para cada músico, no que será chamado de Jardim BioParque Memorial Mamonas.
A iniciativa une memória afetiva e sustentabilidade e está sendo divulgada nas redes sociais oficiais do grupo e do cemitério. Segundo os organizadores, além de simbolizar vida e continuidade, o memorial será equipado com totens digitais e QR Codes nos quais fãs e visitantes poderão acessar fotos, textos e vídeos sobre os músicos e a história da banda.
Memorial vivo e homenagem afetiva
O memorial ecológico será implantado em área contígua aos túmulos originais dos artistas no Cemitério Parque das Primaveras I, onde Dinho (Alecsander Alves), Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli estão sepultados desde 1996. A maior parte das cinzas permanecerá nos sepultamentos, enquanto apenas uma porção será usada para nutrir as árvores que farão parte do espaço de homenagem.
A irmã de Dinho, Grace Kelly Alves, explicou que o memorial terá mural, QR Code e espaço para que fãs deixem mensagens, fotos e recordações, criando um ponto permanente de encontro e homenagem para admiradores da banda.
O conceito do projeto, além de respeitar a memória da banda, reforça uma proposta mais ampla de resignificação da lembrança póstuma, transformando um gesto de despedida em um símbolo de renovação ambiental e afetiva.
Tragédia que marcou o Brasil
Os Mamonas Assassinas ganharam notoriedade em meados da década de 1990 com um rock cômico que misturava crítica social, irreverência e performances enérgicas, conquistando rapidamente o público brasileiro. Na noite de 2 de março de 1996, enquanto retornavam de um show em Brasília, o Learjet que os transportava colidiu com a Serra da Cantareira, na região norte de São Paulo, matando todas as pessoas a bordo — músicos, equipe técnica e pilotos — e provocando comoção nacional.
A tragédia interrompeu de forma abrupta a carreira de uma das bandas mais populares do país na época, cujas canções como Brasília Amarela, Pelados em Santos e Sabão Crá-Crá ainda são lembradas e tocadas com frequência no Brasil.
Visitação e legado
Com o novo Jardim BioParque Memorial Mamonas, a proposta é que, além de preservar a história do grupo, o espaço se torne uma referência de encontro entre fãs e familiares, oferecendo um ponto de visitação que alia homenagem, memória afetiva e preservação ambiental. Fãs poderão continuar visitando os túmulos e também caminhar pelo memorial, agora incorporado à paisagem verde da cidade que viu nascer a banda.





