A infestação de animais peçonhentos deixou de ser relato isolado e passou a integrar a rotina de diversos bairros de Itabira, na região central de Minas Gerais. Moradores denunciam aumento no aparecimento de escorpiões, além de mato alto e acúmulo de lixo em áreas públicas, cenário que, segundo a população, coincide com a ausência das equipes de combate a endemias nas ruas.
Entre os bairros onde houve confirmação recente de aparecimento de escorpiões e outras espécies estão Gabiroba, Jardim dos Ipês, Madre Maria de Jesus, Bethânia, Pedreira, Nova Vista, Jardim das Oliveiras e Novo Amazonas. Em alguns desses locais, moradores registraram imagens de terrenos públicos com vegetação elevada e descarte irregular de resíduos.
No bairro Novo Amazonas, a situação ganhou ainda mais repercussão. No último dia 18, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais foi acionado após uma cobra coral entrar em uma residência. A ocorrência foi confirmada pela corporação e o animal foi capturado sem registro de feridos. Antes disso, nos dias 4 e 5 de fevereiro os militares já haviam sido acionados para captura de serpentes na cidade, uma delas cascavel.
Ausência de agentes de endemias
Moradores afirmam que, até 2020, era comum a presença regular dos agentes de combate a endemias realizando visitas porta a porta, orientando a população e identificando focos de risco. Segundo relatos, desde o início da gestão do prefeito Marco Antônio Lage (PSB), em 2021, essa presença diminuiu drasticamente, com os agentes praticamente sumindo das ruas.
O Folha de Minas monitora imóveis com autorização dos proprietários e constatou que fichas antigas de visitação permanecem afixadas sem atualização, o que reforça a denúncia de ausência de fiscalização preventiva.
Contradição com decreto municipal
No segundo semestre de 2024, a prefeitura publicou decreto estabelecendo multa para moradores que mantivessem quintais sujos ou com mato alto. A justificativa foi o combate a focos de doenças e pragas urbanas.
Entretanto, moradores questionam a falta de manutenção em áreas públicas, onde o mato cresce sem controle. “A prefeitura cobra do cidadão, mas não faz a parte dela”, relatou um morador da Gabiroba.

Risco ampliado à saúde pública
A preocupação ocorre em um momento delicado para o município. Em 13 de março de 2025, levantamento divulgado pelo Folha de Minas mostrou que o Índice de Infestação Predial do Aedes aegypti em Itabira atingiu 7,2%, quatro vezes acima do registrado no fim de 2024 e superior ao limite de risco definido pelo Ministério da Saúde.
Em 10 de abril de 2025, nova reportagem alertou para o surto de dengue, zika e chikungunya, com preocupação especial em relação às gestantes.
Especialistas explicam que ambientes com lixo acumulado, entulho e vegetação alta favorecem tanto o mosquito transmissor quanto animais como escorpiões e serpentes, ampliando o risco sanitário.
Monitoramento continuará
Até o fechamento desta matéria, a prefeitura não havia apresentado cronograma público de reforço das equipes de endemias nem detalhado plano emergencial para enfrentar a proliferação de animais peçonhentos.
O Folha de Minas seguirá acompanhando os registros nos bairros citados e cobrando providências do poder público.






