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Home Colunas

Alaíde Costa: Coração

Por Lenin Novaes
20 de abril de 2026 - 09:10
em Colunas
Alaíde Costa: Coração

Alaíde Costa, 90 anos, celebrados na França, é parte da própria história da música popular brasileira. | Foto: Daryan Dornelles/Divulgação

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“Meu pai grande/Inda me lembro
E que saudade de você/Dizendo eu já criei seu pai
Hoje vou criar você/Inda tenho muita vida pra viver
Meu pai grande/Quisera eu ter sua raça pra contar
A história dos guerreiros/Trazidos lá do longe
Trazidos lá do longe/Sem sua paz
De minha saudade vem você contar/De onde eu vim
É bom lembrar/Todo homem de verdade
Era forte e sem maldade/O dia vai/O dia vem
Todo filho seu/Seguindo os passos
E um cantinho pra morrer/Pra onde eu vim
Não vou chorar/Já não quero ir mais embora
Minha gente é essa agora/Se estou aqui/Eu trouxe de lá
Um amor tão longe de mentiras/Quero a quem quiser me amar”

– Athaliba, a música “Pai grande”, de Milton Nascimento, há 50 anos, ganhou a voz sublime da cantora Alaíde Costa, que abre o repertório do disco Coração. Nos primórdios da Bossa Nova, coincidindo com seu início de carreira artística, ela ganhou estimulo de ninguém nada mais, nada menos, que João Gilberto. Ele detectou o talento e afinidade dela com o novo estilo musical que surgia e a incentivou a participar dos encontros que definiram aquele gênero musical.

– Marineth, a música título do LP, “Coração”, é de Nelson Ângelo e Ronaldo Bastos. E tem “O samba que eu fiz”, Sueli Costa; “Catavento”, Milton Nascimento; “Sonho e fantasia”, Lysias Ênio e João Donato; “Quem sou eu”, Johnny Alf; “Corpos”, Ivan Lins e Vitor Martins; “Viver de amor”, Toninho Horta e Ronaldo Bastos; “O que se sabe de cor”, Fernando Leporace; “Pé sem cabeça”, Danilo Caymmi e Ana Terra; “Tempo calado”, Alaíde Costa e Paulo Alberto Ventura; e “Tomara”, Novelli, Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós. Ela é também compositora.

– Athaliba, no abril deste 2026, na 28ª edição do Festival do Cinema Brasileiro de Paris, ela arrebatou a plateia, com a exibição da cinebiografia A noite de Alaíde, o longa-metragem dirigido por Liliane Mutti. E, ainda, como parte de eventos comemorativos dos 90 anos de idade, fez show histórico no Teatro da Aliança Francesa. Foi um reencontro comovente com seu público francês e brasileiros residentes na cidade, reativando a carreira de amplo reconhecimento internacional.

– Marineth, não favorável a concessões que, às vezes, quase sempre, resulta em desvios de artistas bitolados, cegos, por fama a qualquer preço, Alaíde mantém trajetória artística pautada pela integridade. Os fiéis admiradores da cantora, que a seguem há décadas, reconhecem a sua firme personalidade. Colocada quase que de escanteio na memória da história do surgimento da Bossa Nova, nunca esperneou, exigindo prestígio de destaque do início do gênero musical.

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– Athaliba, em entrevista à Rádio França Internacional – RFI -, comentando as homenagens recebidas em Paris, a Alaíde manifestou imensa felicidade por comemorar os 90 anos de idade e sua trajetória artística. Foi celebrada como uma das grandes vozes negras da Bossa Nova, e sua resistência contra o apagamento e a dedicação contínua à música brasileira. Ela resumiu dizendo que “é gratificante demais” este reconhecimento, tendo a oportunidade de compartilhar sua vida através do filme e da música.

– Marineth, o nome de batismo da artista é Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide. Nascida em 8/12/1935, no Rio de Janeiro. Iniciou a carreira em programas infantis, como Arraia miúda, Rádio Nacional; e Sequência G3, Rádio Tupi. Participou do programa Calouros em desfile, do Ary Barroso, recebendo nota máxima, início de 1950. Foi crooner do Dancing Avenida e gravou o 1º disco, com “Tens que pagar”, música que compôs em parceria com Airton Amorim.

– Athaliba, e foi num estúdio de gravação que o João Gilberto a ouviu e ficou deslumbrado. Ganhou admiração e respeito do Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, entre outros. Ela gravou, em 2014, o disco autoral, Canções de Alaíde. Tem “Amigo amado”, parceria Vinicius de Moraes; “Você é amor”, parceria Tom Jobim; “Canção do breve amor”, parceria Geraldo Vandré. Enfim, a Alaíde é parte da própria história da música brasileira. Mas, é boicotada pela podre indústria de produção cultural, encabeçada pela TV Globo, que aliena, encabresta o povo brasileiro. Phorra!

Tags: Alaíde CostaBossa NovaCrônicas do AthalibaLenin Novaesmúsica brasileira
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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