“É na carne, é no osso/A dor vai penetrando
Quem sentirá tanto como eu, minha agonia?
Delírio de velha/Visão ou lembrança
Ah, como fui jovem/E amei demais a vida
Estou sozinha na cama fria
Meu corpo arde na lenta espera
Estou sozinha na cama, na vida
Estou sozinha diante da morte
É o medo, é o frio/Nas juntas, nos nervos
Quem me dará força para ver o fim de tudo
Eu tenho fé no mundo e nos homens
Eu tenho fé nesta louca aventura
Eu quero sim, este ar que me falta
Eu quero sim, respirar boca a boca, amar”
– Athaliba, esses versos são de “Boca a boca”, música de Milton Nascimento e Fernando Brant, 2ª no Lado A do disco Renascer da Nana Caymmi, gravado há 50 anos. Milton, o Bituca, participa com violão, e um dos irmãos da cantora, Dori Caymmi, deixou a voz. “Mãos de afeto”, de Ivan Lins e Vitor Martins, abre o repertório, que tem ainda “Codajás”, Ronaldo Bastos e Danilo Caymmi; “Sacramento”, Nelson Ângelo e Milton Nascimento; “Sodade, meu bem, sodade”, Zé do Norte; “A dor a mais”, de Francis Hime e Vinícius de Moraes; “Desenredo”, Paulo César Pinheiro e Dori Caymmi, autores de “Tati, a garota”; “Dupla traição”, Djavan; “Branca dias”. Edu Lobo e Cacaso; “Pois é”, Tom Jobim e Chico Buarque; “Aperta outro”, Danilo Caymmi e Ana Terra.
– Marineth, sem quebrar o ritmo que ocê dá ao extraordinário disco da inesquecível Nana Caymmi, precisamos alertar o povo que acabou as férias de julho, com a vergonhosa trajetória da seleção brasileira de futebol masculino na Copa do Mundo/2026. As atenções, agora, devem ficar concentradas às eleições para Presidente da República, os governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Assim é presumível evitar que as urnas eletrônicas revelem “gato por lebre”, como aconteceu em 2018, quando foi eleito Jair Bolsonaro. O filho dele “01”, Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ (Partido Liberal-Rio de Janeiro) tem a ambição de ser presidente do Brasil. E ignora as inquirições de “rachadinhas” e do escarcéu do Banco Master, que o cercam.
– Athaliba, o Dori, além colocar voz em “Boca a boca”, participou de outras gravações com violão e foi o responsável pela produção musical e arranjos. Outro irmão dela, o Danilo Caymmi, também participou com violão e flauta em diversas músicas. Também integrou a equipe de músicos Nelson Ângelo, violão; Noveli, baixo elétrico; Luiz Alves, baixo acústico; Robertinho Silva, bateria; João Donato, piano; Hélio Delmiro, guitarra; Fernando Leporace, baixo elétrico; Gegê, bateria; e Rubinho Moreira, percussão. O disco antológico tem a marca de qualidade musical dos Caymmi, iniciada na linha do talentoso músico, cantor e compositor Dorival Caymmi.
– Marineth, em consequência de disfunção de múltiplos órgãos, a cantora faleceu no dia 1º de maio de 2025, ano passado, aos 84 anos, no Rio de Janeiro. Carioca, nascida em 29/4/1941, tinha o nome de batismo de Dinahir Tostes Caymmi, e era filha do saudoso Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris. O registro de sua iniciação musical está na canção “Acalanto”, composta pra ela pelo pai e com quem fez dueto na gravação do disco dele em 1960. E o primeiro disco que gravou, um78 rpm, tem as músicas “Adeus”, de Dorival Caymmi, e “Nossos beijos”, de Hianto de Almeida e Macedo Norte.
– Athaliba, com arranjos de Oscar Castro-Neves, ela gravou o LP Nana, em 1963, ano em nasceu sua filha Denise, irmã de Stella Teresa, nascida em 1962, ambas na Venezuela, quando era casado com o médico Gilberto José Aponte Paoli. Em 1965 separou-se do marido e, grávida, voltou para o Brasil, onde nasceu o filho João Gilberto. Ano seguinte, com a música “Saveiros”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, venceu o I Festival Internacional da Canção. Casou com Gilberto Gil e com ele interpretou “Bom dia”, musica que compuseram, no III Festival de Música Brasileira, em 1967. O casamento durou pouco tempo, menos de um ano.
– Marineth, a Nana é uma das melhores cantoras do Brasil, na preferência nacional!



Ótimo crônica muito bem
Elaborada ,
Meus parabéns para ese
grande jornalista!