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Home Notícias Economia

Cesta básica sobe em todas as capitais e já consome quase metade do salário mínimo

Alta dos alimentos pressiona orçamento das famílias; feijão, carne e leite lideram aumento

Por Redação
9 de abril de 2026 - 09:09
em Economia

Foto: Tânia Rêgo | ABR. 

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O custo da cesta básica voltou a subir em todas as capitais brasileiras e já compromete quase metade da renda de quem recebe salário mínimo. O novo levantamento do Dieese, com dados da Conab, mostra um cenário de pressão crescente sobre o orçamento das famílias em março.

São Paulo segue com a cesta mais cara do país, custando R$ 883,94, enquanto Aracaju registra o menor valor, com média de R$ 598,45.

Apesar da diferença entre as capitais, a tendência é a mesma em todo o Brasil: os alimentos básicos estão mais caros.

A alta foi puxada principalmente por itens essenciais no dia a dia do brasileiro, como feijão, batata, tomate, carne bovina e leite. No caso dos alimentos in natura, o clima teve peso direto. O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras prejudicou a colheita e reduziu a oferta.

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Na direção oposta, o açúcar foi um dos poucos produtos que registraram queda, favorecido por maior oferta no mercado.

O impacto no bolso é significativo. Com o salário mínimo em R$ 1.621, o trabalhador precisou, em média, de quase 98 horas de trabalho para comprar a cesta básica em março. No mês anterior, esse tempo era menor, o que mostra uma perda recente de poder de compra.

Na prática, isso significa que cerca de 48,12% da renda líquida foi destinada apenas para alimentação básica. Ainda que o percentual seja menor do que o registrado no ano passado, a alta recente indica que o alívio não está consolidado.

Entre as capitais, os maiores aumentos foram registrados em Manaus, Salvador, Recife e Belo Horizonte, todas com altas acima de 6% no mês.

O feijão aparece como um dos principais vilões da alta. O preço subiu em todas as cidades pesquisadas, pressionado por problemas na produção, como redução de área plantada, dificuldades na colheita e expectativa de safra menor.

Segundo especialistas do setor, o cenário reflete não só o clima adverso, mas também uma instabilidade na produção nacional. Em alguns casos, produtores colheram bem menos do que o esperado, o que impacta diretamente os preços.

A tendência para os próximos meses ainda é incerta. A Conab projeta uma produção de feijão superior a 3 milhões de toneladas, mas fatores como custo de fertilizantes e combustíveis ainda podem pressionar o setor.

Outro dado que chama atenção no levantamento é o valor considerado ideal para o salário mínimo. Para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, o rendimento deveria chegar a R$ 7.425,99 — mais de quatro vezes o piso atual.

O número evidencia o descompasso entre o custo de vida e a renda média no país, especialmente quando se trata de itens essenciais como alimentação.

Tags: cesta básicacusto de vidaDieeseinflação alimentossalário mínimo
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