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Home Notícias Economia

Caixa apertado e dívida bilionária marcam início de 2026 em Minas

Relatório fiscal revela saldo negativo de R$ 11,3 bilhões e passivo superior a R$ 187 bilhões

Por Redação
20 de fevereiro de 2026 - 11:17
em Economia

Foto: Gil Leonardi

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Minas Gerais entrou em 2026 com as finanças pressionadas. O Relatório de Gestão Fiscal referente ao último quadrimestre de 2025 aponta que o Estado terminou o ano com saldo negativo de R$ 11,3 bilhões em recursos livres, aqueles que não têm destinação obrigatória e representam a real capacidade de pagamento do governo.

O documento também registra cerca de R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados e ainda não liquidados, o que limita a margem de manobra no início do novo exercício. Na prática, o Estado começa o ano com compromissos superiores à disponibilidade imediata de caixa.

Mesmo nesse cenário, Minas permanece dentro do limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. A despesa com servidores equivale a pouco mais de 48% da Receita Corrente Líquida, abaixo do teto de 49%.

Dívida cresce ao longo da gestão

O relatório mostra que a dívida consolidada líquida já ultrapassa R$ 187 bilhões. Quando Romeu Zema (Novo) assumiu o governo, em 2019, o estoque da dívida estava em torno de R$ 113,8 bilhões. Ao longo do mandato, o valor acumulado superou a marca de R$ 200 bilhões, considerando a evolução dos encargos e atualizações contratuais.

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Em entrevisa à rádio Itatiaia, o economista Gelton Pinto Coelho, presidente do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais, disse que o quadro não se resume a fatores herdados de gestões anteriores.

“Minas abriu mão de mais de R$ 100 bilhões por meio de renúncias fiscais e isenções tributárias, sem transparência adequada e sem que a população saiba quais empresas foram beneficiadas. Isso ampliou o desequilíbrio estrutural das contas públicas”, afirma.

Segundo o economista, o volume acumulado de benefícios tributários concedidos pelo Estado supera R$ 100 bilhões. O montante é maior que o déficit de caixa apontado no relatório fiscal.

Parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais defendem revisão dos incentivos e cobram divulgação detalhada das empresas contempladas e das contrapartidas assumidas. O governo estadual argumenta que os benefícios são instrumentos para manter investimentos e preservar empregos.

Propag entra no radar

Diante do avanço do endividamento, o Estado analisa a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), iniciativa apresentada pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e já aprovada no Congresso Nacional.

O programa prevê alongamento de prazos, redução de encargos e compromissos de investimento. Para Gelton, a medida não resolve integralmente o problema, mas é menos onerosa que alternativas anteriores, como o Regime de Recuperação Fiscal.

“A dívida saiu de R$ 113,8 bilhões e já ultrapassa R$ 200 bilhões. O Propag não é ideal, mas é uma possibilidade de reorganizar as finanças públicas diante desse cenário”, afirma.

Governo rebate críticas

Em posicionamento oficial, a Secretaria de Estado de Fazenda afirma que desde 2019 vem promovendo medidas de reorganização fiscal após o que classifica como cenário de calamidade financeira herdado. O Executivo sustenta que o resultado negativo decorre principalmente da execução de restos a pagar e não compromete a continuidade dos serviços públicos.

O governo também defende que a adesão ao Propag poderá melhorar o perfil da dívida e criar espaço para novos investimentos em infraestrutura e serviços essenciais.

Com recursos livres negativos, dívida elevada e debate sobre renúncias fiscais em evidência, Minas inicia 2026 com desafios que deverão influenciar tanto a agenda econômica quanto o cenário político do Estado.

Tags: Dívida PúblicaMinas GeraisPropagrenúncia fiscalRomeu Zema
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