O dólar voltou a recuar frente ao real nesta terça-feira (21) e fechou no menor patamar desde 15 de junho, refletindo um cenário favorável às moedas de países exportadores de petróleo e o diferencial de juros praticado no Brasil.
A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,073, com queda de 0,31%, ampliando as perdas acumuladas no mês e no ano. No mercado financeiro, analistas atribuíram o movimento principalmente à valorização internacional do petróleo, que beneficia economias exportadoras da commodity, e à manutenção da taxa básica de juros brasileira em patamar elevado.
Enquanto o câmbio reagiu positivamente, a Bolsa de Valores brasileira teve um dia de pouca movimentação. O Ibovespa fechou praticamente estável, com leve recuo de 0,03%, aos 173.325 pontos, registrando a quinta sessão consecutiva de queda.
Petróleo fortalece o real
A alta do petróleo voltou a influenciar diretamente o comportamento do câmbio. Os contratos internacionais avançaram pela terceira sessão seguida diante das preocupações com a oferta global da commodity.
O barril do Brent, referência para a Petrobras, subiu 2%, encerrando o dia a US$ 91,01, enquanto o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, avançou 2,25%, para US$ 84,34.
Como o Brasil é exportador líquido de petróleo, a valorização da commodity tende a favorecer a entrada de dólares no país, fortalecendo o real e reduzindo a pressão sobre a moeda brasileira.
Além disso, o elevado nível da taxa básica de juros continua atraindo investidores estrangeiros interessados em operações conhecidas como carry trade, estratégia em que recursos são direcionados para países que oferecem maior remuneração em títulos de renda fixa.
Com isso, o real registrou o segundo melhor desempenho entre as principais moedas emergentes no pregão, ficando atrás apenas do peso colombiano.
Conflitos elevam preço da commodity
A valorização do petróleo continua sendo impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O mercado acompanha a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, além das ameaças de ataques do grupo rebelde Houthi às embarcações que atravessam o Estreito de Bab-el-Mandeb, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo.
A situação ganhou ainda mais relevância após o bloqueio do Estreito de Ormuz, um dos principais corredores marítimos utilizados para o escoamento da produção dos países do Golfo Pérsico.
O aumento das incertezas elevou o chamado “prêmio de risco” do petróleo, pressionando as cotações internacionais.
Bolsa tem quinta queda consecutiva
Na B3, o dia foi marcado por baixa liquidez e oscilações ao longo de todo o pregão.
O volume financeiro movimentado ficou em R$ 17,9 bilhões, abaixo da média diária observada neste ano, refletindo uma postura mais cautelosa dos investidores.
As ações da Petrobras ajudaram a reduzir as perdas do índice ao acompanhar a valorização do petróleo. Os papéis ordinários avançaram 1,43%, enquanto as ações preferenciais encerraram o dia com alta de 1,24%.
Mesmo assim, o desempenho do mercado brasileiro ficou abaixo do observado nas bolsas norte-americanas, que encerraram a sessão em alta impulsionadas principalmente pelas empresas de tecnologia.
Dólar acumula queda no ano
Com o resultado desta terça-feira, o dólar amplia o movimento de desvalorização frente ao real.
A moeda norte-americana acumula queda de 0,73% na semana, 1,73% no mês e 7,57% em 2026, desempenho influenciado pelo fluxo de recursos para mercados emergentes, pela política monetária brasileira e pelo comportamento dos preços internacionais das commodities.


