O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de mortes violentas intencionais desde o início da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, iniciada em 2012. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (23), mostram uma redução de 8,2% na taxa nacional, que caiu de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes, ultrapassando pela primeira vez a marca de menos de 20 vítimas por 100 mil habitantes.
Em números absolutos, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais no país em 2025, contra 44.127 no ano anterior, consolidando o menor patamar dos últimos 14 anos. A categoria reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais em serviço ou fora dele.
O levantamento aponta que a redução foi puxada principalmente pela queda dos homicídios dolosos, dos latrocínios e das lesões corporais seguidas de morte. Em contrapartida, os feminicídios e as mortes provocadas por intervenções policiais continuaram crescendo.
Homicídios caem, mas feminicídios atingem maior nível da série
Apesar da melhora no cenário geral da violência, o Anuário revela que os crimes contra mulheres por razões de gênero seguem em trajetória oposta.
Em 2025, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, média de 4,3 assassinatos por dia. O número representa aumento de 4% em relação ao ano anterior e faz com que 44,4% de todas as mulheres assassinadas no país tenham sido mortas por motivação de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio passou a integrar o Código Penal, em 2015.
As tentativas de feminicídio também aumentaram. Foram 4.189 registros, crescimento de 5,9% em comparação com 2024. Na prática, para cada feminicídio consumado houve quase três tentativas de assassinato.
Segundo o estudo, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas de violência letal contra mulheres, considerando conjuntamente os feminicídios consumados e tentados.
Mortes provocadas por policiais também aumentam
Outro dado que chamou atenção foi o crescimento da letalidade policial.
As mortes decorrentes de intervenções policiais aumentaram 5,4% em relação ao ano anterior, alcançando 6.602 vítimas, o maior número já registrado pelo Anuário desde o início da série histórica. Isso representa, em média, 18 pessoas mortas por policiais por dia no Brasil.
O aumento ocorreu mesmo em um contexto de redução dos homicídios em geral, evidenciando que a diminuição da violência não foi acompanhada por uma queda na letalidade das forças de segurança.
Minas Gerais registra uma das maiores reduções do país
Entre os estados, Minas Gerais aparece entre os destaques positivos.
O estado reduziu em 14,2% o número de mortes violentas intencionais em relação ao ano anterior, desempenho superior à média nacional.
Também apresentaram quedas expressivas o Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%), Mato Grosso (-23,2%), Piauí (-15,7%) e Paraná (-15,5%).
Por outro lado, sete unidades da federação registraram aumento das mortes violentas: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Desafio permanece desigual entre os estados
Embora a tendência nacional seja de queda, o Anuário mostra que a violência continua concentrada em determinadas regiões do país.
Levantamento divulgado junto com o estudo indica que as cidades com maiores taxas de mortes violentas permanecem concentradas principalmente no Nordeste, onde disputas entre organizações criminosas continuam impulsionando os índices de homicídios.
Os pesquisadores ressaltam que os resultados nacionais escondem realidades bastante distintas entre estados e municípios, reforçando a necessidade de políticas públicas adaptadas às características locais.
Redução da violência convive com desafios persistentes
O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que o Brasil vive um momento contraditório.
Ao mesmo tempo em que alcança o menor índice de mortes violentas desde 2012, o país registra recordes em indicadores como feminicídios e letalidade policial.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a consolidação da queda dos homicídios dependerá da continuidade de políticas de prevenção, investigação qualificada, combate ao crime organizado e fortalecimento das ações voltadas à proteção das mulheres, que seguem entre as principais vítimas da violência letal.


