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Home Colunas

Brasil: irreal independência

Por Lenin Novaes
16 de maio de 2022 - 15:26
em Colunas

O povo ainda tornará o Brasil uma grande potência, reafirmando sua condição incontestável de gigante pela própria natureza.  (Reprodução)  

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– Marineth, a data cívica da Independência do Brasil já se divisa à frente, neste calendário gregoriano, o mais utilizado no mundo, criado em 1582. E que tem, portanto, data redonda de 440 anos no corrente 2022. Mas, como o povo deve se manifestar dia 7 de setembro, quando o Brasil irá transpor o tempo da falta plena de independência em 200 anos? Na retrospectiva do período que se faz necessária não se conjectura motivo de comemoração. O sentimento é de indignação, infelizmente. Até quando, nós, brasileiros, devotos da pátria amada, vamos nos manter curvados, submissos, vassalos, ao domínio das elites retrógradas que nos subjugam e exploram o país?

– Athaliba, essa data dos 200 anos do brado de Independência ou Morte deve ser encarada como marco para profunda reflexão, no sentido do povo definir os rumos que o Brasil deve seguir daqui prá frente. Urge uma revisão histórica do que falta à plena independência do país!

– Ocê tá certa, Marineth. Sem desconsiderar as ações de luta contra as desigualdades sociais já ocorridas em dois séculos, o povo precisa compreender, de uma vez por todas, que ao Brasil falta uma referência de soberania. A construção inequívoca dessa referência irá garantir a justiça, a fraternidade e a paz entrem os brasileiros. A população, em geral, desfrutará da riqueza abundante da qual o país é beneficiado em recursos hídricos, biológicos, minerais e energéticos. São os recursos naturais elementos que servem à sobrevivência e ao desenvolvimento do povo e, assim, a sua exploração, consciente e responsável, preserva e fortalece a nação.

– Athaliba, ocê falando assim de benefícios da natureza e da sua preservação me comove. É triste observar as destruições desenfreadas de florestas, rios e lagos que vem ocorrendo.

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– Marineth, é imperativo dar um basta à exploração das riquezas naturais que beneficiam a poucos. E que tornam a vida miserável de muitos. É intolerável que brasileiros morram de fome frente a tanta abundância que a terra produz; o massacre covarde de indígenas por mineradores e madeireiros; a alta mortalidade infantil; o assassinato de líderes no campo e de jovens, maioria negros, nas favelas e morros dominados por milicianos e narcotraficantes; o latifúndio nas mãos de famílias gananciosas; a falta de incentivo às artes; etc. e tal.

– Toma fôlego, Athaliba. Assim ocê pode enfartar. São muitas e anacrônicas as mazelas no pais que sufocam a larga maioria do povo há centenas de anos. O trem é doido!

– Sim, Marineth. E obrigado por sua preocupação com a minha saúde. A sobrevivência no Brasil é uma monstruosa aventura. Recordo da profª Terezinha de Castro, concluindo palestra na ESG – Escola Superior de Guerra -, afirmando que “o Brasil poderá formar bipolaridade com outro grande país, num futuro próximo”. Perplexo, abordei-a, discordando da sua previsão. Argumentei que o Brasil explorava economia escravocrata por séculos e nunca tivera implementado projeto político para crescer, se desenvolver e se tornar uma grande potência. E ela, evidenciando afago às minhas ponderações, sentenciou: “É só isso, meu prezado, que falta ao Brasil. Só isso”.

– Athaliba, que reconhecimento extraordinário de quem sabe de política profundamente.

– Pois é, Marineth. Qualquer cidadão organizado reconhece que o Brasil nunca teve projeto político de envergadura para fazer o país decolar. Claro que isso só interessa e beneficia às elites dominantes. A profª Terezinha morreu aos 70 anos, em Portugal, no ano 2000, onde participava como conferencista convidada de simpósio. Era reconhecida nacional e internacionalmente como especialista em Geopolítica. Foi historiadora, pesquisadora, geógrafa, escritora e sustentou com o trabalho “Antártica: Teoria da Defrontação”, a tese da Antártica Brasileira, à qual o Brasil deveria reivindicar o seu espaço naquele continente.

– Athaliba, neste 2022, marco dos 200 anos de independência, o Brasil pode mudar o rumo da sua história, com as eleições majoritárias de outubro, por exemplo?

– Ah, Marineth! Como gostaria que isso fosse possível. Infelizmente não enxergamos ainda a luz no fim do túnel à luta que conduzirá o Brasil à plena independência. Apesar de sacrifícios de tantos compatriotas, inclusive, assassinados brutal e covardemente na defesa das liberdades e da soberania do país. Pelo andar da carruagem percorrendo as trilhas virulentas da tradicional e nefasta política brasileira “tudo continuará como dantes, no quartel de Abrantes”.

– Athaliba, o que nos resta fazer? O sonho acabou?

– Não, Marineth. Devemos nos indignar, sempre, sem perder a ternura jamais, na luta pela plena soberania do Brasil. O sonho continua vivo, pulsante, na lembrança de Carlos Marighella.

Tags: ColunaLenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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