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Home Notícias Brasil

Alessandro Vieira pede impeachment de Nunes Marques por atuação ligada ao caso Master

Senador cita voto de desempate em processo de precatórios bilionários, mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro e relações de pessoas próximas ao ministro com envolvidos no caso

Por Redação
24 de setembro de 2026 - 16:22
em Brasil
Alessandro Vieira pede impeachment de Nunes Marques por atuação ligada ao caso Master

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

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O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou nesta quinta-feira (24) no Senado um pedido de impeachment contra o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suposto crime de responsabilidade.

A denúncia tem como um dos principais pontos a atuação do ministro em um processo envolvendo a Destilaria Alcídia e a União, relacionado ao cálculo de indenizações do setor sucroalcooleiro e a precatórios bilionários citados nas investigações sobre o Banco Master.

Nunes Marques chegou a constar como impedido de atuar no processo em fevereiro de 2024. No mês seguinte, entretanto, o registro foi revertido sob a justificativa de que havia ocorrido um “equívoco da assessoria do gabinete”.

Meses depois, em 1º de outubro de 2024, o ministro participou do julgamento na Segunda Turma do STF. Com o placar empatado em 2 a 2, Nunes Marques deu o voto de desempate favorável aos credores.

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O pedido de impeachment apresentado por Alessandro Vieira relaciona esse episódio às mensagens posteriormente encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Após o julgamento, o diretor jurídico da instituição financeira escreveu em uma conversa:

“Ganhamos Alcídia.”

Em seguida, compartilhou o contato de Kevin Nunes Marques, filho do ministro, acompanhado da expressão:

“Dominado aqui.”

As mensagens integram o material recolhido pela PF nas investigações sobre o Banco Master.

“Turma do KN” também aparece no pedido

A denúncia apresentada ao Senado incorpora outras informações reveladas pela investigação, entre elas mensagens referentes à chamada “turma do KN”, expressão utilizada em conversas envolvendo pessoas próximas ao ministro.

O material menciona ainda uma negociação para um contrato de honorários que poderia alcançar R$ 427 milhões, relacionado à liberação de aproximadamente R$ 8,5 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro.

O pedido também cita pagamentos e benefícios envolvendo pessoas do entorno de Nunes Marques.

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Banco Master teria transferido R$ 6,63 milhões para uma consultoria tributária que, no mesmo período, realizou 11 pagamentos ao filho do ministro, somando R$ 281,6 mil.

A denúncia reúne ainda informações sobre a locação de uma mansão no Rio de Janeiro para o Carnaval de 2025, ao custo de R$ 1,45 milhão, pedido de hospedagem no Hotel Fasano e uma viagem de Nunes Marques a Maceió em uma aeronave vinculada ao grupo de Vorcaro.

Esses episódios são apresentados por Vieira para sustentar o argumento de que o ministro deveria ter se declarado suspeito em processos relacionados aos interesses investigados.

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Vieira aponta crime de responsabilidade

O senador enquadra as condutas atribuídas a Nunes Marques em dois dispositivos do artigo 39 da Lei 1.079/1950, a Lei do Impeachment.

A legislação considera crime de responsabilidade de ministro do STF julgar uma causa quando seja legalmente suspeito e proceder de maneira incompatível com a honra, dignidade e decoro da função.

No pedido, Alessandro Vieira sustenta que a questão não está restrita ao conteúdo das decisões proferidas pelo ministro, mas às relações mantidas por pessoas próximas a ele com interessados em processos submetidos ao Supremo e à eventual ausência de declaração de suspeição.

“A independência judicial protege o juízo; não protege o vínculo com o jurisdicionado, nem a omissão em declarar suspeição”, afirma Vieira na denúncia.

Em outro trecho, o senador argumenta:

“O decoro exigido de Ministro da Suprema Corte não se mede apenas pela prova de um resultado indevido, mas pela preservação da aparência de imparcialidade, sem a qual a jurisdição constitucional perde legitimidade.”

Declaração de Nunes Marques também é contestada

A denúncia questiona ainda uma declaração feita pelo próprio Nunes Marques em 15 de setembro.

Na ocasião, o ministro afirmou:

“Nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master.”

Vieira contrapõe a declaração à participação do ministro no processo envolvendo a Destilaria Alcídia e às informações que surgiram posteriormente nas investigações sobre os precatórios.

O senador também menciona que Nunes Marques foi relator de um mandado de segurança apresentado para tentar obrigar o Senado a instalar a CPI do Banco Master.

A suspeição do ministro nesse processo já havia sido questionada por Alessandro Vieira e outros senadores. O presidente do STF, Edson Fachin, rejeitou o pedido em junho por considerar que ele havia sido apresentado fora do prazo regimental, sem analisar o mérito das alegações.

Pedido prevê perda do cargo e oito anos de inabilitação

Alessandro Vieira pede que o Senado receba a denúncia, faça a leitura em plenário e dê prosseguimento ao procedimento para eventual abertura do processo de impeachment.

O senador solicita ainda a produção de provas, incluindo documentos e informações em poder da Polícia Federal e do STF, registros de voos e hospedagens e o depoimento de nove testemunhas.

Também requer que uma cópia da denúncia seja encaminhada à Procuradoria-Geral da República para análise de eventual responsabilização na esfera penal.

Ao final, Vieira pede que Nunes Marques seja condenado à perda do cargo de ministro do Supremo e à inabilitação para o exercício de função pública por oito anos.

Tags: Alessandro VieiraBanco MasterDaniel VorcaroDestilaria AlcídiaimpeachmentKassio Nunes MarquesPolícia FederalprecatóriosSenadoSTFTurma do KN
Redação

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