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Home Colunas

Academia de Letras de Alucard sumiu?

Por Lenin Novaes
10 de novembro de 2018 - 11:39
em Colunas
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O que foi feito da fantasmagórica Academia de Letras de Alucard, criada na escuridão, nas ruínas da Fazenda do Pontal, em setembro de 2010? Por onde andará o idealizador e seus membros (membros é ótimo, né?) após a festa halloween de posse, numa outra morada da família do poeta Antônio Crispim? Quanto custou aos cofres públicos a cerimônia de posse, entre outras despesas à invisível instituição?

– Sabe, Athaliba, perguntei isso às pessoas que cruzavam a praça redonda, após a realização da fracassada semana crispiniana e, prá minha surpresa, nenhuma soube responder. O que mais chamou a atenção foi o fato da maioria sequer saber da existência de tal instituição literária. É realmente fantasma?

– Uai, Marineth, tá na cara que a Academia de Letras de Alucard não existe. O que aconteceu, realmente, foi a celebração de ato de picaretagem, bancada com dinheiro público pelo então chefe-mor de Alucard. E o que fica evidenciado, sem a possibilidade de contraditório, é o descaramento, atrevimento e oportunismo de conterrâneos do saudoso poeta, em usurpar a chancela dele para cometer ato delituoso.

– Pô, Athaliba, que trem doido. Tudo o que gira em torno do poeta em Alucard cheira mal. Némêzz?

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– Infelizmente, Marineth. A área cultural é desconjuntada por feudos. São lotes de fulano, beltrano, sicrano, etc. Cada qual se sente “dono” de um órgão. Óiqui bololô danado!

– Pois é, Athaliba. Um periodista do jornal O Trilho, de passagem por Xistifora (cidade pertín do Rio de Janeiro), contou que fez sugestões à política pública de cultura para a dirigente escolhida para o cargo, antes mesmo de ela tomar posse. Ela fez caras e bocas, não acatando as propostas. Deu no que está dando. E ele saiu do encontro, me segredou, percebendo que ela não tinha aptidão para exercer a função.

– Tem base, Marineth. Conte mais do breguete.

– Prestenção, Athaliba.

– Cadiquê, sô?

– Depois, o periodista sugeriu atividades comemorativas aos 30 anos da morte do poeta Antônio Crispim, a um parlamentar/sindicalista. O vereador, mesmo distorcendo as propostas, faturou e até pichou verso do poeta no paredão de um dos prédios do sindicato. Lá, no gabinete, ouviu buchicho de tramitação, na Câmara Federal, de projeto para tornar Alucard capital nacional da poesia. E aí decidiu investigar o caso, driblando as tentativas de cooptação que sofreu para defender a proposta.

– Nó. Tô como Zé dend’água, Marineth

– Né prá menos, né? Conversa daqui, dali, buscando bases que justificasse, sustentasse tal projeto, ele encontrou um dos dirigentes da tal Academia de Letras de Alucard, que omitiu o cargo. E, como tinha percorrido todos os setores culturais, constatando as precariedades dos órgãos, nas estruturas físicas e administrativas, loteados e com pessoal desqualificado, meteu o pau no projeto, na mídia.

– Agora, Marineth, compreendo a atitude do periodista. Ele agiu em legítima defesa de Alucard e do poeta, evitando, assim, que a cidade viesse a ser conhecida no Brasil como a capital nacional do ridículo.

– Disgramô foi tudo, Athaliba. Mas, o deputado federal usado como ‘cavalo’, que assumiu a autoria do projeto, fatura voto como forasteiro no curral eleitoral de Alucard. Ele e o filho, deputado estadual.

– É divera! Que a nova geração de historiadores escreva a história de Alucard com isenção.

– Grado dimais doce, Athaliba.

– Humrrum. Mas, a tal Academia de Letras de Alucard é fumaça. Vendedores de cachorro-quente e pipoqueiros, sem demérito a eles, são convidados para assentar cadeiras como escritores na academia.

– Situação vexatória. Tchaupoôcê, Athaliba.

– Tabão intão. Não dá pra suportar tão grande infortúnio, né? Espero que o poema Trens cruzando em Alucard possa aliviar tua angústia, pois representa amor à cidade à primeira vista, literalmente. Bjs.

 

Do lado esquerdo, vem vindo um trem;

Do outro lado, à direita, mais um trem.

Os trens têm, à frente, máquinas a óleo diesel.

O trem que desliza à esquerda tem duas máquinas.

Vêm, lentamente, nos trilhos, em velocidade igual.

Não transportam gente; carregam minério de ferro.

 

Conto os vagões de um lado, mas o olhar vai para o outro.

E aí tento outra vez contar os vagões, olhando à esquerda.

Mas, novamente, perco a contagem. São longos, avantajados.

As máquinas estão se aproximando,

Sobre a passagem de nível da linha férrea que divide a cidade.

Aguço o olhar, compenetrado, curioso com a cena.

Tenho a sensação de que vão se engavetar.

 

Agora os trens estão cruzando, um penetrando no outro.

Vão se engolindo, compassadamente, sem pressa.

Têm o mesmo formato, a mesma característica. São iguais.

 

Do alto do oitavo andar do Bristol, a cena me instiga.

Será incesto, o que a isso assisto?

O entardecer vem trazendo a lua e os trens seguem gemendo.

Quanto tempo dura o coito?

 

De repente, lentamente, vão se desengavetando,

Retomando a forma inicial,

Com os vagões de um lado e de outro, num suave balanço.

 

Os trens completam o ato de cruzar.

O do lado esquerdo, com as duas máquinas, soa o apito.

O que vai à direita apita, após a longa curva em S passar.

E somem de vista, enquanto os últimos vagões,

De cada lado se distendem, depois de muito gemer nos trilhos.

 

Qual será a fêmea? O trem à direita, com uma máquina?

Será o trem à esquerda, robusto, puxado a duas máquinas?

Eh, trem doido, como saber, meu saudoso poeta?

Bem que Sigrid, pele alva, cabelos avermelhados, me disse:

“Daqui a pouco, Lenin, vem outro trem”.

E enquanto do meu pensamento saltava a tua lembrança,

Nesse poema que a noite enluarada principiava,

Ouço o apito de trem e, da janela, observo a forma idêntica a dos outros.

Pergunto-me: será esse trem filho dos trens, que estavam cruzando?

 

*Lenin Novaes, jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o concurso nacional Poesias de jornalistas, homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som – MIS.

Lenin Novaes

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Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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