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Home Notícias Brasil

Flávio desiste de debate após entrada de Renan Santos; horas antes, campanha confirmava presença

Candidato alegou “censura” do TSE, mas decisão veio depois de Gilmar Mendes garantir adversário no debate; campanha havia passado o dia preparando respostas sobre Vorcaro e Dark Horse

Por Redação
1 de outubro de 2026 - 20:04
em Brasil
Flávio Bolsonaro muda discurso e admite relação com Daniel Vorcaro após negar proximidade

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

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Flávio Bolsonaro (PL) desistiu de participar do debate da TV Globo na noite desta quinta-feira (1º), poucas horas depois de sua campanha confirmar a presença e após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que a emissora incluísse também o candidato Renan Santos (Missão).

Publicamente, Flávio atribuiu a desistência ao que chamou de “censura” imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu nas redes sociais.

A decisão ocorreu, porém, depois de uma mudança importante na composição do debate. No início da noite, Gilmar Mendes determinou que Renan Santos tivesse direito a participar do encontro.

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Pessoas ligadas à campanha de Flávio relataram que a presença de Renan entrou na avaliação feita pela equipe antes da desistência. Embora também esteja no campo da direita, o candidato do Missão mantém enfrentamentos frequentes com o bolsonarismo e tem feito críticas ao senador durante a campanha.

A possibilidade de Flávio se tornar o principal alvo do debate aumentou ainda mais depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não comparecer.

Campanha havia confirmado presença

A desistência representa uma mudança em relação à estratégia mantida pelo próprio Flávio até poucas horas antes.

O senador havia confirmado publicamente no domingo (27) que participaria do debate mesmo se Lula não comparecesse.

“Vamos no debate da Globo, estou confirmando aqui. Ele que lute. Eu quero ir pra lá pra debater com ele”, afirmou na ocasião.

Nesta quinta-feira, a presença continuava confirmada.

A campanha passou os últimos dias preparando o candidato para o confronto e simulando respostas sobre assuntos considerados sensíveis, incluindo sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o pedido de patrocínio para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e a recente controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

Com Lula fora, a estratégia também previa explorar a ausência do presidente durante o programa.

Integrantes da campanha esperavam utilizar o púlpito vazio destinado a Lula para questionar sua ausência e concentrar críticas no governo.

TSE proibiu exploração do púlpito vazio

Parte dessa estratégia foi atingida por uma decisão da ministra Estela Aranha, do TSE.

Ela determinou que a Globo não explorasse durante a transmissão imagens do púlpito reservado a candidatos ausentes.

A magistrada entendeu que a utilização reiterada da imagem poderia funcionar como forma de constrangimento contra quem exercesse o direito de não participar do debate.

Foi essa intervenção da Justiça Eleitoral que passou a ser apresentada pela campanha de Flávio como “censura”.

A decisão, entretanto, não impedia o senador de participar do programa nem limitava suas respostas durante o confronto.

Nunes Marques liberou Zema, mas barrou Renan

Antes de Gilmar Mendes garantir a presença de Renan, o candidato havia recebido decisão desfavorável do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.

Nunes Marques entendeu que a Globo não era obrigada a convidá-lo porque o Missão possui apenas um deputado federal, enquanto as regras asseguram participação aos candidatos de partidos ou federações com pelo menos cinco representantes na Câmara.

Um dia antes, porém, o próprio ministro havia adotado uma interpretação mais ampla das regras de representatividade para permitir a participação de Romeu Zema (Novo).

Pelo critério que vinha sendo utilizado pelo TSE, baseado na representação partidária apurada a partir das eleições de 2022, o Novo também não atingia o mínimo: havia elegido três deputados federais.

O partido recorreu e argumentou que deveriam ser consideradas filiações ocorridas posteriormente. A bancada havia chegado a cinco deputados antes de 20 de julho deste ano.

Nunes Marques acolheu a tese e modificou o entendimento que vinha sendo aplicado. Na decisão, afirmou que uma interpretação restritiva da representatividade não deveria limitar o espaço dos debates além do que determina a legislação.

Com isso, Zema passou a ter presença obrigatória no programa da Globo.

No caso de Renan, apresentado posteriormente, Nunes Marques não estendeu a flexibilização. O Missão tem apenas um deputado federal, Kim Kataguiri, e o ministro concluiu que os demais critérios previstos pela Globo — entre eles o desempenho nas pesquisas — permitiam à emissora convidar o candidato, mas não tornavam o convite obrigatório.

Renan havia registrado 3% na pesquisa Quaest, à frente de Zema, e sustentava ainda que a Globo o havia incluído anteriormente nas sabatinas do Jornal Nacional e enviado à sua equipe o calendário dos debates.

A campanha argumentou que a exclusão contrariava os princípios da isonomia e do pluralismo político.

Depois da negativa no TSE, o caso chegou ao Supremo. Cármen Lúcia rejeitou uma primeira ação por considerar inadequado o instrumento jurídico utilizado.

No início da noite desta quinta, uma nova iniciativa chegou a Gilmar Mendes. O ministro determinou que Renan fosse incluído no debate, com fundamento na liberdade de expressão e no pluralismo político.

A decisão alterou a composição do programa poucas horas antes de sua realização.

Renan faz oposição a Flávio pela direita

A entrada de Renan representou uma mudança adicional para a estratégia de Flávio.

O candidato do Missão disputa parte do eleitorado de direita, mas mantém uma postura crítica em relação ao bolsonarismo e, durante a campanha, passou a questionar diretamente Flávio sobre episódios de sua trajetória política e sobre as recentes revelações envolvendo Daniel Vorcaro.

Renan também já havia defendido investigação sobre as relações do senador com o ex-banqueiro.

Com Lula ausente, integrantes da campanha avaliavam que Flávio poderia concentrar os ataques dos demais candidatos, especialmente de Renan.

A preocupação não surgiu nesta quinta-feira.

Em agosto, quando Flávio decidiu não participar dos primeiros debates do primeiro turno, integrantes de sua campanha afirmaram que a estratégia seria comparecer apenas aos encontros em que Lula estivesse presente. Um dos motivos apontados na época era justamente evitar que o senador se tornasse alvo dos outros candidatos da direita.

Posteriormente, Flávio mudou a estratégia e confirmou presença no debate da Globo mesmo depois de Lula anunciar que não iria.

A confirmação permaneceu durante esta quinta-feira, enquanto a equipe treinava as respostas do senador para os possíveis questionamentos.

Desistência veio após mudança na composição

Até a decisão de Gilmar Mendes, estavam confirmados no debate Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Lula havia informado que não participaria.

Com a entrada de Renan, o cenário mudou.

Pouco depois, Flávio anunciou que também não iria.

A justificativa apresentada publicamente pelo senador foi a interferência do TSE nas regras do debate. Pessoas da campanha, entretanto, relataram que a nova composição do encontro também foi considerada pela equipe antes da decisão.

A desistência ocorreu no mesmo dia em que a campanha preparava Flávio para responder justamente às questões que poderiam ser levantadas pelos adversários no último confronto entre os presidenciáveis antes do primeiro turno.

Tags: Daniel VorcaroDark Horsedebate da Globoeleições 2026Flávio BolsonaroGilmar MendesKassio Nunes MarquesLulaNovoPartido MissãoRenan SantosRomeu ZemaSTFTSE
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