O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) protagonizou mais um episódio de reviravolta na corrida pelo Governo de Minas Gerais. Apenas um dia depois de gravar um vídeo ao lado do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, anunciando que desistia da disputa e pedindo perdão ao partido, o parlamentar voltou atrás e tentou retomar sua candidatura durante a convenção nacional da legenda, realizada nesta terça-feira (4), em Brasília.
Diante dos convencionais, Cleitinho fez um apelo emocionado para que o Republicanos reconsiderasse sua decisão e afirmou que havia mudado de posição após uma experiência religiosa.
“Pelo meu pai, pelo meu irmão, pela minha mãe, pelo professor, pela Polícia Militar, por todos os trabalhadores do Brasil, de Minas Gerais, por todos os caminhoneiros, por toda a enfermagem que existe, por todo o povo mineiro, eu quero ser candidato a governador e eu peço humildemente ao presidente me dê essa vaga.”
Na sequência, acrescentou que acreditava ter recebido uma orientação divina.
“Eu não vou decepcionar o partido. Eu não vou decepcionar o senhor presidente. (…) Quem nunca foi e voltou? Quem nunca teve equívoco? (…) Deus falou comigo por meio do Espírito Santo.”
O pedido, porém, foi recusado imediatamente pelo presidente nacional da sigla. Marcos Pereira encerrou a fase deliberativa da convenção e afirmou que o momento para essa decisão havia passado.
O dirigente lembrou que o senador teve diversas oportunidades para oficializar sua candidatura, especialmente durante a convenção estadual do Republicanos, realizada em Minas Gerais no dia 25 de julho, quando sequer compareceu ao evento. Segundo Pereira, a legenda também ofereceu a possibilidade de Cleitinho ser representado por procuração, alternativa igualmente recusada.
Em uma das respostas mais marcantes do episódio, Marcos Pereira rebateu a justificativa religiosa apresentada pelo senador.
“Foi dada a oportunidade ao senador Cleitinho de comparecer à convenção no dia 25 de julho e se declarar candidato. (…) O senador Cleitinho não aceitou nem comparecer e nem enviar procuração. (…) Diferentemente do que aconteceu com ele, Deus ainda não falou comigo para lançar sua candidatura.”
Uma indefinição que custou caro
O episódio encerra um processo de indefinição que se arrastou por meses e dominou os bastidores da política mineira.
Mesmo liderando sucessivas pesquisas de intenção de voto para o Governo de Minas, Cleitinho evitou confirmar oficialmente que disputaria o Palácio Tiradentes. Ao longo da pré-campanha, alternou declarações favoráveis à candidatura com sucessivos adiamentos da decisão, deixando o Republicanos sem condições de estruturar uma chapa própria.
A falta de definição levou o partido a não homologar seu nome durante a convenção estadual e, posteriormente, a declarar apoio à candidatura de Marcelo Aro (PP).
Aliados pagaram a conta
Se Cleitinho permanece no exercício do mandato de senador, alguns de seus aliados tiveram consequências mais imediatas.
O caso mais emblemático é o do ex-prefeito de Patos de Minas, Luiz Eduardo Falcão. Reeleito em 2024 e com alta aprovação popular, Falcão renunciou à Prefeitura e também à presidência da Associação Mineira de Municípios (AMM) para integrar a chapa como candidato a vice-governador de Cleitinho. Toda a estratégia, no entanto, dependia da confirmação da candidatura do senador, que nunca ocorreu.
Com a desistência definitiva e o apoio do Republicanos a Marcelo Aro, Falcão acabou ficando fora da disputa eleitoral e sem os cargos que ocupava, enquanto Cleitinho seguirá exercendo normalmente seu mandato no Senado.
A sequência de acontecimentos também expôs o desgaste entre o senador e a direção nacional do Republicanos. Desde junho, Marcos Pereira vinha afirmando publicamente que a legenda estava pronta para lançar Cleitinho, mas que faltava ao parlamentar segurança para decidir se realmente desejava disputar o Governo de Minas.
Com a negativa definitiva da Executiva Nacional, encerra-se uma das principais novelas da pré-campanha mineira. O foco da disputa passa agora para os candidatos oficialmente homologados, entre eles o governador Mateus Simões (PSD), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), o deputado federal Patrus Ananias (PT), o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) e o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB).


