A religião também ocupa espaço nos nomes que estarão diante dos eleitores mineiros nas urnas em outubro. Minas Gerais tem 29 candidatos que escolheram incorporar alguma referência religiosa ao nome de campanha, com uma característica que chama atenção: a presença de títulos associados ao meio evangélico é muito superior à identificação católica.
O levantamento faz parte do estudo Perfil do Poder, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o Common Data, a partir dos registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram pesquisados termos religiosos nos nomes escolhidos pelos próprios candidatos para aparecer nas urnas e no sistema eleitoral.
Pastor, pastora, bispo, bispa, missionário e missionária estão entre as identificações encontradas. No campo católico, aparecem referências como padre e frei, mas em quantidade muito menor.
A escolha do nome de urna é particularmente significativa porque representa a forma como o candidato decidiu se apresentar diretamente ao eleitor. Um político que inclui “Pastor”, “Bispo”, “Missionário” ou “Padre” em seu nome eleitoral coloca a referência religiosa entre os elementos de identificação de sua candidatura.
É justamente nesse recorte que a diferença entre evangélicos e católicos se torna mais evidente.
Entre os candidatos mineiros aparecem nomes como Pastor Flávio, Pastor Júlio César, Pastor Rinaldo Silva, Pastor Rosivaldo, Pastor Heloyr, Pastor Jared, Pastora Patrícia, Pastora Valéria, Pastora Terezinha, Bispo Renato, Bispa Claudia, Missionária Fernanda Soares e Missionária Maria, entre outros. Na identificação católica, um dos nomes é Padre João, candidato a deputado federal pelo PT.
O levantamento não mede a religião pessoal de todos os candidatos mineiros. Há políticos católicos e evangélicos que disputam a eleição utilizando apenas o próprio nome, sem qualquer título religioso. O recorte mostra especificamente aqueles que decidiram tornar a identidade religiosa visível ao eleitor já no nome de urna.
Predomínio dos pastores se repete no país
O cenário mineiro acompanha uma tendência observada nacionalmente. O estudo encontrou 445 candidaturas com referências religiosas no nome de urna em todo o Brasil. Desse total, 285 utilizam pastor, pastora ou alguma variação do termo. Sozinhos, representam 64% de todas as candidaturas identificadas pela pesquisa.
Outros 39 candidatos apresentam-se como missionário ou missionária e 31 como bispo ou bispa. Há ainda 11 registros de apóstolo. Somadas, apenas essas referências tradicionalmente associadas ao universo evangélico chegam a 366 candidaturas, mais de 80% dos 445 registros religiosos encontrados no país.
A diferença em relação à identificação católica é expressiva. Apenas 11 candidatos em todo o Brasil utilizam “Padre” no nome de urna. O estudo também encontrou ocorrências de “Frei”, além de outras referências religiosas que não pertencem necessariamente ao universo católico ou evangélico, como mãe e pai de santo ou termos relacionados a terreiro.
Minas responde por 29 das 445 candidaturas religiosas identificadas nacionalmente, o equivalente a 6,5% do total. O estado fica atrás apenas de São Paulo, com 51; Rio de Janeiro, com 50; Pernambuco, com 34; e Bahia, com 33.
A presença religiosa está concentrada principalmente nas eleições proporcionais. Em todo o país, 229 candidatos que usam títulos ou outras referências religiosas disputam vagas nas Assembleias Legislativas e outros 181 concorrem à Câmara dos Deputados. Juntos, deputados estaduais e federais representam 92,2% desse universo. Não há, neste ano, candidatos a presidente ou governador utilizando referências religiosas no nome de urna.
Apesar da forte presença evangélica dentro desse grupo, o número geral de candidaturas religiosas diminuiu em relação à eleição de 2022. Naquele ano, candidatos que adotavam alguma referência à religião correspondiam a 2,7% do total de registros no país. Em 2026, representam 2,2%.
A redução proporcional, porém, não altera uma característica que permanece clara na eleição deste ano: entre os candidatos que fazem questão de apresentar uma identidade religiosa já no nome que aparecerá para o eleitor, pastores e outras lideranças identificadas com o universo evangélico ocupam um espaço muito maior que as referências católicas.


