O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, nesta terça-feira (31), os efeitos da guerra no Irã sobre o preço internacional do petróleo e o impacto direto no custo dos combustíveis no Brasil.
Durante evento em São Paulo, Lula afirmou que o governo está adotando medidas para evitar uma nova disparada no preço do diesel — combustível considerado estratégico para a economia, principalmente no transporte de alimentos.
Alta do petróleo já pressiona preços no Brasil
O cenário internacional já começa a refletir no bolso do consumidor. O preço do diesel no país subiu mais de 9% em março, puxado pela escalada das tensões no Oriente Médio .
O aumento do petróleo no mercado global também tem relação com gargalos logísticos e riscos na região, responsável por grande parte da produção mundial.
No Brasil, o impacto é ainda mais sensível porque cerca de 30% do diesel consumido no país é importado.
Ao comentar o tema, Lula foi direto ao atribuir o aumento dos preços ao conflito internacional.
“Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, a guerra não é do povo brasileiro e a gente não tem que ser vítima dessa guerra”, afirmou.
O presidente também destacou que a alta dos combustíveis afeta diretamente a inflação.
“O preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, disse.
Governo prepara medidas para conter preços
Para tentar segurar a escalada, o governo estuda medidas emergenciais, incluindo subsídios ao diesel.
Uma das propostas prevê descontos no combustível para importadores e produtores, com divisão de custos entre União e estados.
Medidas semelhantes já foram adotadas recentemente, com redução de impostos e subsídios que podem baixar o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro .
Além disso, o governo também pretende intensificar a fiscalização para evitar aumentos abusivos no preço final ao consumidor.
Críticas à cadeia de distribuição
Lula também criticou o funcionamento do mercado de combustíveis no Brasil, citando dificuldades para que reduções de preço cheguem ao consumidor final.
Segundo ele, a venda da antiga BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, contribuiu para esse cenário.
“Quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, afirmou.
A guerra no Irã completou um mês e segue sem solução, mantendo o mercado internacional sob tensão.
O conflito já elevou significativamente o preço do barril de petróleo e pode continuar pressionando economias ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde o diesel influencia diretamente o custo do transporte e dos alimentos.
Especialistas alertam que, sem controle, a alta dos combustíveis pode se espalhar por toda a cadeia produtiva, elevando a inflação.
Apelo à comunidade internacional
Diante do cenário, Lula fez um apelo direto às grandes potências mundiais, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.
“Criem juízo. O mundo precisa de paz, o mundo não precisa de guerra”, afirmou.
O presidente criticou o papel das potências e disse que o conflito atual contraria a missão original da ONU, criada para manter a paz global.





