No primeiro pronunciamento público desde que assumiu como líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei prometeu vingança contra Israel e os Estados Unidos, além de manter ataques contra bases militares ligadas aos adversários no Oriente Médio. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (12) por meios de comunicação estatais iranianos.
Khamenei assumiu o comando do país após a morte de seu pai, Ali Khamenei, que governou o Irã por mais de três décadas e foi morto em um bombardeio no primeiro dia da guerra recente envolvendo forças israelenses e norte-americanas.
Em sua mensagem, o novo líder afirmou que o país continuará respondendo militarmente aos ataques.
“Não abandonaremos a busca por vingança. A vingança que temos em mente não se relaciona apenas ao martírio do grande Líder da Revolução. Cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo é um sujeito independente no dossiê de retribuição.”
Estreito de Ormuz continuará bloqueado
No discurso, Mojtaba Khamenei também declarou que o Irã manterá o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global de energia.
A passagem é responsável pelo transporte de cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo. O fechamento do estreito já provoca impactos nos mercados internacionais e levou diversos países a considerar a liberação de reservas estratégicas de petróleo.
“A alavanca do bloqueio do Estreito de Ormuz deve certamente continuar a ser utilizada”, afirmou o aiatolá.
O novo líder iraniano também reafirmou o apoio do país ao chamado “Eixo da Resistência”, aliança de grupos armados e organizações políticas que inclui movimentos como Hamas e Hezbollah.
Segundo ele, esse apoio faz parte dos princípios da Revolução Islâmica e continuará sendo mantido.
Khamenei ainda afirmou que o Irã pretende cobrar indenizações pelos prejuízos causados pela guerra.
“Exigiremos indenização do inimigo e, se eles se recusarem, confiscaremos o máximo de seus bens que considerarmos apropriado.”
Relações com países vizinhos
O líder supremo afirmou que pretende manter relações diplomáticas “cordiais e construtivas” com os países vizinhos do Irã. O país possui fronteiras terrestres ou marítimas com 15 nações.
Mesmo assim, advertiu que bases militares instaladas nesses territórios e utilizadas por forças adversárias poderão continuar sendo alvo de ataques.
“Sem atacar esses países, alvejamos exclusivamente essas mesmas bases. De agora em diante, inevitavelmente continuaremos com isso.”
Na quarta-feira (11), o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução apresentada pelo Bahrein pedindo que o Irã interrompa os ataques contra países árabes da região.
A proposta foi aprovada com abstenções da China e da Rússia.
Em seu pronunciamento, Mojtaba Khamenei também criticou países que abrigam bases militares norte-americanas e pediu que essas instalações sejam fechadas.
“Aconselho-os a fechar essas bases o mais rápido possível, pois já devem ter percebido que a alegação dos Estados Unidos de estabelecer segurança e paz não passava de uma mentira.”
O novo líder também fez um apelo à unidade da população iraniana diante do conflito.
Ele agradeceu aos combatentes iranianos e afirmou que o país precisa superar divergências internas para enfrentar os adversários externos.
Khamenei também mencionou perdas familiares durante os ataques militares, incluindo a morte de sua esposa, de uma irmã, de um sobrinho e de um cunhado.
Como funciona a escolha do líder supremo
No Irã, o líder supremo é escolhido pela Assembleia dos Especialistas do Irã, composta por 88 clérigos eleitos por voto popular.
Embora o cargo seja vitalício, a Constituição iraniana prevê que o líder possa ser destituído pela própria assembleia.
Além de exercer forte influência política, o líder supremo tem autoridade direta sobre as Forças Armadas e ocupa o topo da estrutura de poder da República Islâmica.






