A madrugada desta quarta-feira trouxe mais uma atualização dolorosa para a Zona da Mata mineira. Subiu para 36 o número de mortos após as chuvas intensas que atingiram a região desde segunda-feira (23). Ao menos 33 pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de resgate seguem trabalhando sem interrupção.
Em Juiz de Fora, cidade mais atingida, são 30 mortes confirmadas. Em Ubá, outras seis vítimas foram registradas. Entre os mortos estão pelo menos cinco crianças, o que amplia ainda mais o impacto da tragédia nas comunidades afetadas.
Busca por sobreviventes continua
Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, 208 pessoas foram retiradas com vida de áreas alagadas ou soterradas. As buscas concentram-se principalmente em bairros de Juiz de Fora, onde 31 pessoas ainda são procuradas. Em Ubá, duas permanecem desaparecidas.
Mais de 20 militares foram deslocados de Belo Horizonte para reforçar as operações, além de equipes especializadas com cães treinados para atuar em estruturas colapsadas. Na manhã desta quarta-feira, 62 bombeiros estavam mobilizados em Juiz de Fora, 49 em Ubá e 14 em Matias Barbosa.
O trabalho avança com cautela. O solo permanece encharcado e instável, o que dificulta escavações e amplia o risco de novos deslizamentos.
Chuva histórica
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que Juiz de Fora já acumula 579,3 milímetros de chuva em fevereiro, volume 270% acima da média histórica para o mês. É o maior índice já registrado desde o início das medições, superando o recorde anterior, de 1988.
Em poucas horas, bairros inteiros foram tomados por lama e água. Casas cederam, ruas desapareceram sob enxurradas e famílias precisaram deixar tudo para trás.
Mobilização e apoio
O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado pelo município. O governador Romeu Zema decretou luto oficial de três dias em Minas Gerais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas e informou que determinou o envio de equipes do Sistema Único de Saúde para reforçar o atendimento na região.
Enquanto as autoridades organizam a resposta emergencial, o sentimento nas cidades atingidas é de apreensão. Moradores acompanham as buscas com esperança e medo, à espera de notícias que podem mudar destinos.
As operações continuam ao longo do dia, com novas atualizações previstas pelas equipes de resgate.






