O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) afirmou nesta segunda-feira (23), em entrevista à jornalista Edilene Lopes, da Rádio Itatiaia, que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser considerado um “preso político” e defendeu a concessão de prisão domiciliar por razões de saúde.
Durante participação no Jornal da Itatiaia, Zema afirmou que Bolsonaro enfrenta problemas médicos e classificou a situação como “humanitária”.
“Sou totalmente favorável à prisão domiciliar do Bolsonaro. Ele está com um problema seríssimo de saúde, é uma questão humanitária. Ele está sendo perseguido político, um preso político”, declarou.
Na mesma entrevista, o ex-governador elevou o tom contra decisões do Judiciário e afirmou que os responsáveis pela condenação do ex-presidente deveriam ser responsabilizados.
“Quem o condenou é que precisa ir para a cadeia. Pelo que eu sei, o (ex) presidente não tem nenhum contrato de milhões, como os ministros Alexandre de Moraes e Dias Tofffoli”, afirmou Zema.
Críticas ao STF e propostas de mudança
Zema também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo mudanças estruturais no funcionamento da Corte. Entre as propostas apresentadas, estão a criação de mandatos com prazo definido — entre 8 e 12 anos — para ministros e alterações no modelo de indicação.
“Aquilo ali para mim hoje não é Supremo, se tornou em um Supremo balcão de negócios”, afirmou.
O ex-governador também sugeriu mudanças no processo de impeachment de ministros, defendendo maior autonomia do Senado para avançar com propostas sem depender da presidência da Casa.
Discurso mira cenário eleitoral
As declarações ocorrem no momento em que Zema se movimenta no cenário nacional. Ele deixou oficialmente o governo de Minas Gerais no domingo (22), abrindo caminho para disputar a Presidência da República.
Com a saída, o cargo passou a ser ocupado pelo vice-governador Mateus Simões (PSD).
Zema indicou que pretende levar o debate sobre o STF para o centro da campanha, argumentando que há insatisfação crescente da população com o funcionamento da Corte, especialmente após recentes episódios políticos e econômicos que ampliaram a tensão entre os Poderes.
Contexto político
A fala do ex-governador se soma a um ambiente de maior polarização política no país, com críticas frequentes ao Judiciário por parte de lideranças alinhadas à extrema direita.
Ao classificar Bolsonaro como “preso político” e sugerir responsabilização de magistrados, Zema entra em um debate sensível, que envolve a atuação do Judiciário, o equilíbrio entre os Poderes e o respeito às decisões judiciais.
As propostas de mudança no STF tendem a repercutir no debate público e devem aparecer com mais força ao longo da campanha eleitoral.






