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Home Colunas

Vitrines quotidianas

Por Redação
6 de março de 2026 - 07:31
em Colunas
Vitrines quotidianas

Foto: Jovita Braun | Unsplash

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Os mapas estatísticos e os gráficos são as melhores representações da desumanização. Produtividades são medidas em números e por lucros e são o fruto de um trabalho insano, arriscado ou envolto em decepções. Além disso, os recursos humanos, que significam nada mais que a capacidade de um corpo de funcionários possa apresentar. Por trás de tudo isso, muitas vezes é impossível acreditar que existam seres humanos atuando para que as linhas e números de balanços ascendam ou baixem.

Além de serem vistos como meros pontos em planilhas, a aparência do trabalhador também é, muitas vezes, valorizada além da competência. Isso tudo leva à perda da individualidade e do sentimento que devemos sentir pelo outro ou pelo próximo.

O culto ao corpo é um libelo moderno ou pós-moderno. As aparências se modificam a fim de se adaptarem a padrões de beleza que vão se alternando, transformando as pessoas em objetos. A beleza feminina e masculina tem seus fetiches quando anseiam por um corpo que está, frequentemente, além da própria estrutura corporal. A medicamentação tem um papel fundamental quando os laboratórios criam soluções mágicas para problemas fúteis. É como se todos nós estivéssemos em uma vitrine, onde somos o foco das admirações alheias. Exposição em aplicativos e o desprezo pela vida quando pessoas se arriscam em aventuras cada vez mais insanas a fim de conseguir likes em suas plataformas, e se transformam em seres desumanizados. Atendem aos desejos de seus seguidores, como o criminoso que executa as vítimas e as tortura, conforme os desejos dos fãs.

Anula-se o indivíduo para se adequar às expectativas externas. As pessoas se tornam objetos e não mais seres humanos.

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As palavras são torturantes quando definem as pessoas a partir da sua condição social: o sem-teto, o idoso e o imigrante são os adjetivos utilizados para definirem as pessoas, vistas não como aqueles que não conseguem se reerguer na vida, naqueles que não mais podem executar serviços e se tornam um peso para a sociedade. Além daqueles que são vistos como a serem explorados, mão de obra barata ou o que ocupa o lugar dos nativos, podemos incluir o opositor, que questiona o mundo e tenta apresentar ideias para o bem comum. Um lugar com sua importância histórica é objeto de fotos e de registros, com as pessoas ignorando aqueles que por lá passaram e modificaram, muitas vezes, as suas próprias histórias de vida.

A objetificação começa pelo título que damos às pessoas, e não pelo papel que desempenham na sociedade, mas ratificando o seu isolamento social.

A banalização do quotidiano leva à objetificação da vida. Somos vitrines e não mais seres com direitos, sentimentos e desejos. Pessoas são qualificadas não pelo que são, mas pelas suas capacidades de fazer e produzir.

Muito se disse sobre realidades. O virtual se transforma em real, e a realidade não mais espelha a verdade. Nas redes sociais, os influencers são descartáveis e o uso da imagem objetifica as pessoas, à medida que as pessoas se expõem, modificam o corpo, revelam suas vidas. A privacidade rompeu as grades e se torna o objeto de busca, de olhos sedentos por mais exposição e luzes de ribalta.

Tags: coluna opiniãocultura contemporâneadesumanizaçãoNilson Lattariredes sociaissociedade
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