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Home Colunas

AMAR É…

Por Ediel Ribeiro
27 de fevereiro de 2026 - 14:59
em Colunas
AMAR É…

Crédito: Kim Casali

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Rio – Quem não se lembra dos quadrinhos “Amar é…”?

Febre nos anos 70 e 80, a tirinha ‘Amar é…’ atraiu uma legião de fãs apaixonados.

A autora das tirinhas é a neozelandesa Kim Grove, que começou a desenhar os quadrinhos na década de 1960 para seu namorado, o engenheiro de computação italiano Roberto Alfredo Vincenzo Casali. Os dois se conheceram durante um curso numa escola de esqui. “Comecei a fazer pequenos desenhos para expressar como me sentia”, contou ela. Kim e Roberto casaram-se na Nova Zelândia, em 1971.

Seu nome completo era Marilyn Judith Grove. Ela deixou a Nova Zelândia em 1960 para viajar pelo mundo. Seu primeiro emprego foi como garçonete numa casa de chá em Londres. Kim mudou-se em 1967 para Los Angeles, nos Estados Unidos. No início, nos Estados Unidos, Kim trabalhou na Max Factor, colando etiquetas nas embalagens. Quando conseguiu o emprego de recepcionista numa empresa de design, ela começou a vender desenhos do “Amar é…” por 1 dólar cada um.

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Os primeiros cartoons começaram como ilustrações aos recados que Kim deixava para o seu namorado. Nos desenhos, a cartunista representava a si mesma com olhos e cabelos grandes e Roberto, com um “certo ar latino”, como ela afirmou tempos depois. Na época, o casal vivia nos Estados Unidos e, para surpresa de Kim, o namorado guardou todos os desenhos e mostrou a um jornal americano, que gostou das ilustrações e, em 1972, as publicou.

Em 1970, o casal conseguiu vender os direitos dos personagens para o jornal “Los Angeles Times“, que passou a publicar suas histórias. A cartunista assinava apenas como “Kim”. A primeira tirinha foi publicada no dia 5 de janeiro de 1970. Daí em diante, elas começaram a ser veiculadas diariamente em cerca de 60 países e se tornaram um sucesso mundial.

As tirinhas foram traduzidas para diversos idiomas, incluindo o português, e o álbum de figurinhas “Amar é…” foi lançado no Brasil em 1978 pela Editora Abril. A série se tornou um fenômeno cultural no país, conquistando o coração dos brasileiros e gerando uma grande demanda pelas figurinhas. Os adesivos eram vendidos em pacotes de 3 unidades.

Em 2 de julho de 1972, O GLOBO começou a publicar as tirinhas da cartunista. Ao longo da semana, os leitores podiam enviar sugestões do que amar significava para eles e, a partir de uma curadoria, as frases saíam no jornal junto com os desenhos.

Kim e Roberto eram um casal apaixonado. Em uma tira de 1974, o garotinho chama a garotinha de “Kim”. Em outra, de 1971, a garotinha está desenhando um nome na areia da praia que começa com a letra R.

Em março de 1976, após a publicação das primeiras tirinhas, Roberto Casali morreu vítima de um câncer, aos 31 anos. O casal teve dois filhos: Stefano e Dario. Dezesseis meses depois da morte de Roberto, nasceu Milo, resultado de uma inseminação artificial que Kim fez com espermatozóides congelados do marido.

A partir de 1975, a tira foi continuada por outros artistas. A princípio, Dale Hale, um quadrinista americano conhecido por ter sido o segundo assistente de Charles M. Schulz em seus quadrinhos ‘Peanuts’, aceitou o trabalho, mas seu coração não estava realmente nisso e ele pediu demissão depois de um ano. A partir daquele momento, Bill Asprey, um cartunista, poeta e compositor britânico, assumiu e se tornou o artista oficial da série.

Em 1981, a cartunista chegou ao Brasil para realizar seu sonho de conhecer o Rio e buscar inspiração para novas obras. Em entrevista ao jornal O Globo, no dia 4 de julho, ela falou sobre a polêmica envolvendo o nascimento do último filho e o processo de criação do seu trabalho: “Me surpreendi ao ver que meus sentimentos particulares, a respeito do amor, eram os mesmos de todo mundo”. Kim revelou ainda seu quadrinho preferido: “amar é nunca exigir mais do que você está preparado para dar”.

A história de amor de Kim com os quadrinhos teve um fim com sua morte numa cidade do interior de Londres, na Inglaterra. Kim morreu em 15 de junho de 1997, aos 55 anos, também vítima de câncer. O filho mais velho, Stefano, assumiu a produção das tirinhas. O britânico Bill Asprey, radicado na Inglaterra, faz as tirinhas do casalzinho desde 1975.

Muitos já usaram as frases românticas para conquistar alguém ou simplesmente sonhar com um amor. Os cartuns, hit dos anos 70 e 80, rodaram o mundo todo e estão presentes na memória dos apaixonados até hoje.

Tags: Amar écultura pop anos 70Ediel RibeiroKim Grovequadrinhos românticostirinhas clássicas
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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