Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, acaba de ser reeleito presidente da República.
Às 21h08 deste domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou Lula matematicamente reeleito, quando 97,69% das urnas estavam apuradas e a vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) já não podia mais ser revertida. Naquele momento, o petista tinha cerca de 62,6 milhões de votos, contra 58,4 milhões do adversário.
Poucos minutos depois, com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula aparecia com 51,75% dos votos válidos, equivalente a 64.060.863 votos, confirmando a vitória sobre Flávio Bolsonaro.
O resultado garante a Lula seu quarto mandato na Presidência da República e marca uma virada inédita desde a adoção do sistema de dois turnos nas eleições presidenciais brasileiras.
Pela primeira vez, um candidato que terminou a primeira etapa da eleição em segundo lugar conseguiu reverter a disputa no segundo turno.
No dia 4 de outubro, Flávio havia terminado o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Neste domingo, o cenário se inverteu.
Apuração teve duas viradas
A contagem dos votos também foi marcada por mudanças na liderança.
Lula começou a apuração à frente, mas foi ultrapassado por Flávio durante a contagem. O candidato do PL permaneceu na primeira posição por parte da noite.
Por volta das 20h26, Lula voltou à liderança. A partir daí, ampliou progressivamente a vantagem até que, às 21h08, a Justiça Eleitoral confirmou matematicamente sua reeleição.
A confirmação provocou comemorações entre apoiadores que acompanhavam a apuração em diferentes cidades.
Na Avenida Paulista, em São Paulo, onde Lula acompanha a votação ao lado de familiares e aliados, eleitores começaram a festejar ainda durante a virada na apuração.
Campanha reagiu no segundo turno
A vitória encerra uma campanha que sofreu uma mudança significativa entre os dois turnos.
Depois de terminar a primeira votação atrás de Flávio, Lula reformulou parte da comunicação, aumentou a presença nas redes sociais e passou a participar de uma sequência de grandes manifestações de rua em diferentes estados.
O presidente adotou também uma comunicação mais direta, com vídeos gravados em formato selfie e mensagens destinadas a segmentos específicos do eleitorado.
Uma das principais mudanças na estratégia digital foi a entrada do deputado federal André Janones (Rede-MG) na coordenação da mobilização nas redes.
Janones criou o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, que ultrapassou 10 milhões de participantes na reta final da eleição e passou a distribuir orientações para compartilhamento de conteúdos, pesquisas, hashtags e mobilizações em outras plataformas.
A ferramenta também foi alvo de uma disputa jurídica durante o segundo turno, com pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro para suspensão do canal e decisões divergentes dentro do TSE.
Na sexta-feira (23), a Meta informou à Justiça Eleitoral que não encontrou violação de suas políticas no canal após análise determinada pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques.
Ruas também entram na reta final
Paralelamente à reorganização digital, a campanha de Lula passou a ser acompanhada por manifestações em diferentes cidades.
Atos foram realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Belém e outras capitais durante as últimas semanas da campanha.
Na véspera da eleição, Lula encerrou a campanha com nova mobilização na Avenida Paulista.
Ao votar na manhã deste domingo, em São Bernardo do Campo, o presidente destacou justamente essa participação popular e afirmou que, em décadas de atividade política, nunca havia presenciado uma mobilização semelhante durante uma campanha presidencial.
Com a confirmação da vitória nesta noite, apoiadores voltaram às ruas. Na Avenida Paulista, a comemoração começou imediatamente depois que a vantagem se tornou irreversível.
Lula amplia votação em relação ao primeiro turno
No primeiro turno, Lula recebeu 53.879.538 votos, enquanto Flávio obteve 56.104.503.
Com a apuração ainda em andamento nesta noite, Lula já supera os 64 milhões de votos, uma diferença superior a 10 milhões de votos em relação ao desempenho da primeira etapa.
Flávio também ampliou sua votação, mas em proporção menor.
O resultado consolida a primeira virada presidencial entre primeiro e segundo turnos desde a redemocratização e leva Lula novamente ao Palácio do Planalto para o mandato que começa em janeiro de 2027.
Lula já governou o Brasil entre 2003 e 2010 e retornou à Presidência em 2023. Agora, aos 80 anos, conquista nas urnas o direito de permanecer no cargo por mais quatro anos.
A apuração continua, mas o resultado da eleição presidencial já está definido.
Luiz Inácio Lula da Silva está reeleito presidente da República.


