Em um movimento inesperado no cenário diplomático entre os dois países, Donald Trump e Gustavo Petro conversaram por telefone na noite de quarta-feira (7), em seu primeiro contato direto após um período de fortes trocas de acusações e ameaças públicas. O diálogo ocorreu em meio a um momento de tensão entre Bogotá e Washington e abriu espaço para uma possível reunião futura na Casa Branca.
A ligação foi divulgada por Petro em suas redes sociais. Em sua declaração, ele afirmou que abordaram “nossas visões divergentes sobre a relação dos EUA com a América Latina”. O colombiano destacou também o potencial da região para a produção de energia limpa, que poderia interessar a investimentos norte-americanos como alternativa ao petróleo.
“Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial”, disse Petro, propondo um investimento de US$ 500 bilhões em energia renovável como base para paz, vida e democracia global.
Da ameaça ao convite
O telefonema ocorre poucos dias após uma sequência de declarações agressivas de Trump contra Petro e seu governo. No último domingo (4), o presidente norte-americano afirmou que “a Colômbia está muito doente e que é governada por um homem doente, que produz cocaína para vender aos Estados Unidos”, numa referência a Petro. Na mesma ocasião, Trump deu a entender que uma operação militar contra a Colômbia “parecia ser uma boa ideia”, elevando a tensão bilateral.
A conversa conciliatória marcou ainda o anúncio de que Trump convidou Petro para um encontro em Washington, embora a data ainda não tenha sido definida. O presidente norte-americano disse ter achado uma “grande honra” falar com o líder colombiano e enfatizou a disposição de avançar no diálogo, incluindo discussões sobre tráfico de drogas e outras divergências entre os dois governos.
Petro, por sua vez, reafirmou a importância de restabelecer canais de contato entre os dois países e disse esperar que o encontro ocorra em breve. Logo após o telefonema, ele participou de uma manifestação popular convocada para reforçar a posição da Colômbia diante das ameaças norte-americanas.
O contexto da crise
As relações entre os dois líderes vinham em deterioração desde antes de 2026. Em 2025, Trump já havia tomado medidas duras contra Petro, como a revogação de seu visto nos EUA e a inclusão do presidente colombiano e seus familiares em listas de sanções relacionadas ao tráfico de drogas, alegações que Petro rejeitou e que complicaram ainda mais a relação bilateral.
A crise se intensificou após uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, ação amplamente criticada por Petro como violação da soberania regional. Em meio a esse contexto, autoridades colombianas manifestaram preocupação com a retórica de Washington e buscaram reafirmar a cooperação no combate ao tráfico de drogas, ao mesmo tempo em que preservam a soberania nacional.
Analistas observam que a conversa telefônica entre os dois presidentes, embora tenha sido um gesto inicial de descompressão, não resolve as profundas divergências que existem entre Bogotá e Washington, especialmente em temas como narcotráfico e intervenção militar. Ainda assim, a perspectiva de um encontro presencial representa um passo significativo em direção à normalização das relações diplomáticas.






