O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira (20) que convidou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado Conselho da Paz, colegiado internacional que será presidido pelo próprio chefe de Estado norte-americano e terá como missão supervisionar a administração e a reconstrução da Faixa de Gaza.
O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em que Trump apresentou um balanço do primeiro ano de seu segundo mandato, iniciado em janeiro de 2025 e com término previsto para 2029.
“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no conselho da paz de Gaza”, afirmou Trump, ao ser questionado por uma jornalista.
Até o momento, o Palácio do Planalto não confirmou se Lula aceitará o convite. Fontes do Ministério das Relações Exteriores informaram que o convite foi recebido oficialmente no último fim de semana, por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
Conselho da Paz e plano para Gaza
O Conselho da Paz integra a segunda fase do plano para Gaza anunciado por Trump em outubro do ano passado. O acordo, mediado pelos Estados Unidos, previu um cessar-fogo entre Israel e grupos armados palestinos. Na prática, no entanto, bombardeios e confrontos continuam sendo registrados, segundo relatos recentes de agências da Organização das Nações Unidas que atuam no território.
O colegiado terá como principal atribuição supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão anunciado pela Casa Branca na semana passada. O comitê será responsável pela gestão civil e pela reconstrução do enclave palestino, devastado por anos de ofensivas militares israelenses, com mais de 68 mil mortos, de acordo com balanços internacionais.
Em comunicado divulgado na última sexta-feira (16), o governo dos EUA anunciou alguns nomes que vão compor grupo responsável pela administração de Gaza, entre eles:
- Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para o Oriente Médio;
- Marco Rubio, secretário de Estado;
- Jared Kushner, genro de Trump;
- Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido.
Segundo a Casa Branca, esse comitê executivo deverá seguir as diretrizes definidas pelo Conselho da Paz. Um segundo comitê, de perfil mais técnico, também está em formação, com autoridades da Turquia e do Catar.
Até agora, nenhum líder palestino foi indicado para integrar as estruturas de governança anunciadas para Gaza.
Convites a outros presidentes e críticas de Israel
Além de Lula, Trump enviou convites semelhantes a outros chefes de Estado. O presidente da Argentina, Javier Milei, publicou a carta em suas redes sociais e disse sentir-se honrado. O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também confirmou o convite. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e líderes europeus e do Egito estariam na mesma lista.
Apesar disso, a iniciativa provocou reação negativa do governo israelense. Segundo a imprensa internacional, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o comitê executivo “não foi coordenado com Israel e contraria a política do país”.
Um rascunho de estatuto divulgado pela agência Bloomberg indicou que os Estados Unidos teriam solicitado US$ 1 bilhão para garantir assento permanente no Conselho da Paz, valor equivalente a mais de R$ 5 bilhões na cotação atual. A informação, no entanto, foi negada pela Casa Branca, segundo a agência Reuters.
Lula critica Trump e tensão com a Europa
O convite ocorre em meio a um novo ciclo de atritos entre Trump e líderes europeus, especialmente após declarações do presidente dos EUA sobre a Groenlândia. Durante evento do Minha Casa, Minha Vida, no Rio Grande do Sul, Lula fez críticas diretas ao comportamento do líder norte-americano.
“Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter?”, disse Lula.
“Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala ainda o que ele falou.”
O presidente brasileiro também criticou o uso excessivo de celulares e afirmou que não permite a entrada de pessoas com aparelhos móveis em seu gabinete.






