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Home Colunas

Tributo a Paulo Freire

Por Lenin Novaes
9 de fevereiro de 2021 - 11:03
em Colunas

Paulo Freire, o nosso Patrono da Educação Brasileira, é autor de Pedagogia do oprimido, entre outros livros. (Foto - Divulgação)

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– Marineth, esta centésima crônica postada n’O Folha de Minas dedico, com muita honra, à memória do educador e filósofo Paulo Freire, o Patrono da Educação Brasileira, que neste 2021 tem a marca simbólica do seu centenário de nascimento. Destacou-se pelo trabalho na área da educação popular, voltada tanto pela escolarização como para a formação da consciência política e, no mundo, é considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia. Trata-se do brasileiro com mais honrarias da história, recebendo mais de três dezenas de títulos de Doutor Honoris Causa de universidades, inclusive no exterior e, além disso, diversos galardões como o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz, em 1986.

– Athaliba, nessa atual conjuntura, principalmente na área da educação, é imperativo ter presente na memória Paulo Freire e, creia, para sempre. Neste desgoverno do mito pés de barro, arrogante e prepotente no trono da presidência da República, dois ex-ministros da Educação tão no lixo da história: Ricardo Rodriguez e Abraham Weintraub.

– Marineth, a vida e a obra de Paulo Freire indicam a indignação dele contra as injustiças sociais que negam a humanização; voltadas por sua concepção política a favor dos oprimidos. No exílio, no Chile, em 1968, perseguido pela ditadura civil-militar (1964-1985), lançou “Pedagogia do oprimido”, considerado o livro mais importante de sua obra literária. Acusado de subverter a ordem instituída e, após ser preso, seguiu para o exílio no Chile, onde trabalhou como assessor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e do Ministério da Educação.

– Athaliba, ele lecionou em importantes universidades, como UNICAMP e PUC/SP, a partir de 1980, depois de 16 anos exilado. Em 1989, na gestão da prefeita petista Luiza Erundina, assumiu a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, trabalhando na revisão curricular e na implantação de programas de alfabetização de jovens e adultos, além da recuperação salarial dos professores, desde sempre, como trabalhadores de outras categorias, sob arrocho salarial.

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– Sim, Marineth. Paulo Reglus Neves Freire nasceu dia 19/9 de 1921 em Recife e faleceu no dia 2/5 de 1997, em São Paulo; filho de Joaquim Temístocles Freire, capitão da Polícia Militar de Pernambuco, e de Edeltrudes Neves Freire. Graduado advogado pela Faculdade de Direito de Recife/Pernambuco, ele foi professor do Colégio Oswaldo Cruz, diretor de Educação e Cultura e ainda, superintendente do SESI. Junto com outros educadores fundou o Instituto Capibaribe.

– Athaliba, em 1944, ele casou com Elza Maia Costa de Oliveira, que morreu em 1986. Em 1988 uniu-se em matrimônio com Ana Maria Araújo, pernambucana e sua colega desde a infância e que era orientada por ele no programa de mestrado da PUC/SP. Ao receber da instituição o título de Doutor Honoris Causa, ele dedicou a honraria as esposas, registrando “à memória de uma e à vida da outra”.

– Marineth, no governo do presidente João Goulart – setembro de 1961 a abril de 1964 -, Paulo Freire coordenou o Programa Nacional de Alfabetização, usando o método criado por ele e cuja meta era contemplar cinco milhões de adultos. No entanto, o programa foi extinto pelo golpe civil-militar de 1964, menos de três meses após ter sido oficializado. Em abril de 1997, dias antes de morrer de ataque cardíaco, devido a complicações numa cirurgia de desobstrução de artérias, o renomado professor e escritor lançara o livro “Pedagogia da autonomia”. Em 2009, no Fórum Mundial de Educação Profissional, em Brasília, representantes do Ministério da Justiça, pediram perdão post mortem à viúva e à família de Paulo Freire. “o educador voltado para as questões do povo”.

– Athaliba, em 1991 foi fundado, em São Paulo, o Instituto Paulo Freire, com a finalidade de estender e elaborar as ideias do educador. Além de guardar e preservar os arquivos, o instituto realiza atividades relacionadas com o legado dele e a atuação em temas da educação brasileira e mundial. A lei 12.612 de 13 de abril de 2012, de autoria da então deputada Luiza Erundina, tornou Paulo Freire o nosso Patrono da Educação Brasileira.

– Marineth, quero deixar registrada neste final da crônica a frase lapidar de Paulo Freire: “Seria uma atitude muito ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que permitissem as classe dominadas perceberem as injustiças sociais de forma crítica”.

Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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