O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) marcou para a próxima terça-feira (31), às 15h, a sessão que fará a recontagem dos votos para deputado estadual nas eleições de 2022. A medida cumpre decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que cassou o mandato de Rodrigo Bacellar.
Com a decisão, os 97.822 votos obtidos por Bacellar serão anulados, o que deve alterar a distribuição de cadeiras na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com impacto direto na composição partidária da Casa.
Bacellar foi cassado por uso eleitoral de recursos da Fundação Ceperj. No mesmo julgamento, o TSE também declarou inelegíveis o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da fundação, Gabriel Rodrigues Lopes.
Disputa na Alerj é suspensa pela Justiça
A recontagem dos votos também interfere na disputa interna da Alerj. Nesta quinta-feira (26), a eleição que havia escolhido o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente da Casa foi anulada pela Justiça.
A decisão foi tomada pela presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Rio, desembargadora Suely Lopes Magalhães. Segundo ela, o processo eleitoral não poderia ter ocorrido antes da retotalização dos votos.
A magistrada argumentou que a nova composição da Assembleia precisa ser definida antes de qualquer votação interna, inclusive a escolha do presidente da Casa.
O impasse ganha ainda mais relevância por causa da situação política do estado. Com a renúncia de Cláudio Castro na segunda-feira (23), o Rio de Janeiro passou a ter um cenário atípico na linha sucessória.
Sem vice-governador desde 2025 — após a saída de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas do Estado —, o comando do Executivo foi assumido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro.
A definição do novo presidente da Alerj é considerada estratégica, já que o cargo pode influenciar diretamente a condução do processo de escolha indireta do novo governador.
Entenda o cenário
A crise política se intensificou após a decisão do TSE que cassou Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, tornando-o inelegível até 2030.
No mesmo julgamento, Rodrigo Bacellar também foi atingido, perdendo o mandato e ficando inelegível.
A Justiça Eleitoral determinou que a Alerj realize eleições indiretas para escolher o novo governador do estado.






