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Home Colunas

Travesti quer herança de TH

Por Lenin Novaes
26 de maio de 2025 - 08:08
em Colunas

Mulher-Gato acumula 24 autuações na polícia, acusada de roubos e furtos. Reprodução. 

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– Athaliba, a travesti Luana Rabello, a Mulher-Gato, diz que vai recorrer à justiça o direito a herança do traficante Thiago da Silva Folly, o TH da Maré. Ele foi “neutralizado” (fuzilado a tiros) em confronto com policiais, 13 de maio, Dia da Abolição da Escravatura, no Morro do Timbau, no Rio de Janeiro. O delinquente era líder da facção criminosa Terceiro Comando Puro – TCP -, com atuação na Vila do João, Baixa do Sapateiro e Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré.

– Marineth, o casal tinha laço matrimonial? Ele e ela, casados de papel passado? O Rio de Janeiro tem particularidades que o diferencia de outras metrópoles. Até a polícia já cunhou uma expressão mirabolante para anunciar delinquente morto em troca de tiros: “neutralizado”.

– Athaliba, a Luana Rabello diz que “fiz parte da caminhada dele e não vou ficar de mãos abanando. Pois, se preciso for, vou recorrer à justiça. Tínhamos uma relação mais do que sexual: cumplicidade e parceria em diversos momentos da vida. Portanto, tenho direito às conquistas dos bens que ele adquiriu ao longo dos anos”. Ela, no Instragram, tem cerca de 30 mil seguidores e compartilha fotos sensuais, inclusive posando junto de carros de luxo.

– Marineth, investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes – DRE – apurou que a travesti roubou uma pistola Glock de um PM durante programa sexual. Sabe como aconteceu?

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– Athaliba, a Mulher-Gato, dia 11 de março, abordada por um PM na Taquara, foi seduzida por ele para programa sexual por R$ 50,00. Contou na 32ª Delegacia Policial, depois, que o PM não se contentou somente com ela. Ele pediu outra acompanhante, travesti, que cobrou R$ 30,00. E aí, no ápice, auge, fastígio da relação sexual, a pistola foi roubada. O PM, ao registrar o caso na DP, disse que tinha oferecido carona para duas mulheres, que o roubaram.

– Caso pitoresco, né Marineth? O PM, óbvio, apresentou outra versão na delegacia.

– Sim, Athaliba! O policial militar contou que dirigia à noite naquele bairro e ofereceu carona para duas mulheres, sozinhas na rua. Disse que uma delas, sentada no banco de trás, colocou uma faca no seu pescoço e disse: “Você já sabe do que se trata, não? Passa a arma”. A pistola que pertencia à corporação não foi encontrada. Agentes da DRE prenderam Luana, dias depois. Ela soma 24 diferentes ocorrências, entre roubos e furtos, inclusive da pistola roubada do PM.

– Marineth, a travesti vai virar recordista em autuações; figura carimbada na policia.

– Athaliba, ela se orgulha em dizer que é “mulher escultural”. E que sempre foi cortejada no baile funk, no Complexo da Maré. Em 2021 passou a ser monitorada pela polícia, depois que uma mulher de traficante a ameaçou de morte, ao descobrir traição do marido. Luana tinha três chefes do tráfico, naquela localidade, como amantes, aos quais prestava serviços sexuais constantes.

– Marineth, pra ela não existe fidelidade na relação amorosa?

– Athaliba, a travesti diz não fazer distinção dos clientes quando procurada para programa sexual. Costuma dizer que atende bandidos e policiais. Afirma que “no baile funk ninguém é de ninguém”. A ousadia dela não tem limite. Numa das detenções na DRE perguntou aos agentes se podia ser levada para presídio masculino, pois “quero um marido e sair de lá casada”. Programas sexuais e furtos sustentam a vida de luxo que ela fanfarreia no seu perfil no Instragram.

– A Mulher-Gato é compulsiva, né, Marineth?

– Athaliba, a travesti, no dia-a-dia, exibe, na rede social, imagens de passeios de lanchas, festas em camarotes, roupas sofisticadas e diversificadas, além de plásticas. Legendou uma das fotos, passando pela terceira aplicação de silicone, da seguinte maneira: – “Lipada e siliconada”.

– Marineth, a morte do traficante TH da Maré, que a travesti diz ser herdeira, abriu disputa para à linha de sucessão. Será que ela pode voltar ao posto de primeira-dama lá no Complexo da Maré, considerando as esdrúxulas, excêntricas regras do regulamento do estatuto do TCP?

– Isso tá no campo da possibilidade, Athaliba. O sucessor não demorará em dar as caras. A disputa pelo território com outra facção, Comando Vermelho, continua em curso. Quem sucederá Thiago Folly? A sucessão do tráfico ganhou o apelido de “conclave”, nas redes sociais.

– O trem é doido, Marineth. Isso apoquenta os moradores, refém dos narcotraficantes.

– Athaliba, o sucessor está entre os traficantes o Pescador, o Mangolê e o Cria. Este o mais cotado e, como os outros, figura na plataforma Procurados. O traficante Marcelo Santos das Dores, o Menor P (está preso) é quem deve bater o martelo. A Mulher-Gato já mostrou que tem habilidade no submundo do crime. E, portanto, quem já foi rainha não perde a majestade, né?

Tags: ColunaLenin Novaes
Lenin Novaes

Lenin Novaes

Crônicas do Athaliba LENIN NOVAES jornalista e produtor cultural. É co-autor do livro Cantando para não enlouquecer, biografia da cantora Elza Soares, com José Louzeiro. Criou e promoveu o Concurso Nacional de Poesia para jornalistas, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. É um dos coordenadores do Festival de Choro do Rio, realizado pelo Museu da Imagem e do Som - MIS

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