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Home Colunas

SÓ DÓI QUANDO EU RIO

Por Ediel Ribeiro
13 de maio de 2020 - 00:45
em Colunas

DIVULGAÇÃO

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Rio de Janeiro – O genial Chico Anysio, dizia: “Eu não tenho medo de morrer. Tenho pena.” 

Pensei, seria uma pena, também, se o humor carioca morresse. 

Mas, apesar da pandemia, o carioca não perde o bom humor. Como na canção “Só Dói Quando Eu Rio”, de Aldir Blanc e Moacyr Luz. 

Mesmo em tempos difíceis, como os atuais, o carioca ri de tudo. 

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O humor carioca, como o vírus, é contagiante. Semana passada, em plena pandemia, os monumentos à Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Tom Jobim e Nelson Rodrigues apareceram protegidos por máscaras cirúrgicas, daquelas recomendadas para a população se proteger do coronavírus. 

Enquanto as estátuas estão protegidas, nossos humoristas, imunes ao mau humor, continuam rindo de tudo.

Jornalistas e cartunistas cariocas já riram da Malária, da Febre Amarela, da Gripe Espanhola e do Impeachment da ex presidente Dilma, outra praga. 

Grandes jornais de humor do país, surgiram aqui, na Cidade Maravilhosa. Tivemos “O Malho”, revista de sátira política e humor, de 1902, criada por Luís Bartolomeu de Souza e Silva; “A Manha”, do humorista Aparício Torelly, O Barão de Itararé; “A Carapuça”, de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta; “O Pasquim”, criado por Tarso de Castro, Jaguar e Sérgio Cabral; o “Pif-Paf”, do Millôr Fernandes; “Planeta Diário”, do Reinaldo Figueiredo, Hubert e Cláudio Paiva; “Casseta e Planeta” e o “Cartoon”, entre outros. 

Alguns tiveram vida longa, outros, como o “Pif- Paf” , do Guru do Méier e o “Cartoon”, criado e editado por mim, no final dos anos 70, sobreviveram apenas cinco números.

Os mais longevos foram “O Malho” que circulou por mais de 50 anos e “O Pasquim” que circulou durante 20 anos, em plena Ditadura Militar. 

Agora, em plena crise do Covid-19, surgem mais duas publicações no cenário carioca. O jornal impresso “Mais Humor” e a revista digital “Supapo”. Ambos cheios de cartunistas e jornalistas “infectados” de humor. 

O “Mais Humor” chegou primeiro. Criado em janeiro do ano passado por uma cooperativa de cartunistas, encabeçada pelo cartunista Nani, e mais, Mayrink, Amorim, J. Bosco, Ykenga, Rogério, William Medeiros, Magon, Alves e o jornalista Luiz Pimentel, o jornal já riu dos políticos, do governo Bolsonaro e até da crise na saúde. Já está na décima edição e, pasmem, com saúde.

A revista “Supapo” é mais nova. Surgiu na carona do corona – com perdão do trocadilho. Criado pela trinca de cartunistas J. Bosco, Magon e Waldez, a publicação, que conta com a colaboração de cartunistas como Aroeira, Fausto, Mariano, Cau Gomez, Claudia Kfouri, Gilmar, Nei Lima, entre outros, já é sucesso da internet 

E não para por aí. 

Depois da pandemia, cariocas e paulistas vão, finalmente, conhecer o “Hic! – jornal de buteco”. Com “u”, mesmo, como na corruptela instituída por Aldir Blanc, e respeitada aqui. 
 
O lançamento do jornal já foi adiado pela crise financeira e pelo coronavírus, mas, desta vez, sai. O mini tablóide de humor conta com as luxuosas colaborações de cartunistas como Jaguar, Nani, Guidacci, Mayrink, Amorim, Ykenga, Nei Lima, Netto, J. Bosco e Magon; além de textos meus e dos jornalistas Moacyr Luz, Luiz Pimentel e Tom Cardoso.

O humor carioca surge, invariavelmente, nas mesas dos botecos, criado por jornalistas, cartunistas e intelectuais boêmios que, felizmente, ainda tem a capacidade de se indignar. 

Enquanto houver indignação e uma folha em branco, o humor não morrerá.

Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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