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Home Notícias Brasil

Senado aprova fim da escala 6×1; Mourão é único a votar contra

PEC reduz jornada máxima para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso e segue para promulgação; ex-vice de Jair Bolsonaro foi o único senador contrário nos dois turnos

Por Redação
15 de outubro de 2026 - 06:26
em Brasil
Senado aprova fim da escala 6×1; Mourão é único a votar contra

Foto: Ton Molina/Agência Senado

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O Senado aprovou na noite desta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6×1 e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.

O placar foi de 75 votos favoráveis e apenas um contrário, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

O único senador a votar contra foi Hamilton Mourão (Republicanos-RS), general da reserva, ex-vice-presidente da República no governo Jair Bolsonaro e senador pelo Rio Grande do Sul desde 2023.

Com a aprovação sem alterações em relação ao texto votado pela Câmara dos Deputados em maio, a PEC não precisa retornar aos deputados e segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.

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A nova regra estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e uma transição de 14 meses. Sessenta dias depois da promulgação, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas. Doze meses depois, será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

Mourão ficou sozinho contra a mudança

Hamilton Mourão manteve até o fim a posição contrária que já havia adotado durante a tramitação da PEC.

O senador argumentou que a mudança poderia provocar aumento de custos, redução da renda e desemprego, especialmente no Rio Grande do Sul. Mesmo depois de praticamente toda a oposição decidir apoiar o texto, Mourão avisou que manteria o voto contrário.

Questionado sobre o fato de Flávio Bolsonaro ter mudado de posição e votado a favor, Mourão respondeu:

“Flávio é o Flávio, eu sou Hamilton Mourão.”

O senador acrescentou que seu mandato representa o Rio Grande do Sul e lembrou ter sido eleito por quase 2,6 milhões de gaúchos.

Mourão foi vice-presidente da República entre 2019 e 2022, durante o governo Jair Bolsonaro. Em 2022, foi eleito senador pelo Rio Grande do Sul, com mandato até 2031.

Nos dois turnos desta quarta-feira, foi o único entre os senadores que participaram da votação a registrar voto contrário.

PL votou a favor, mas manteve críticas

O Partido Liberal acabou apoiando a aprovação, embora tenha feito críticas ao texto durante praticamente toda a tramitação.

Dos senadores do PL que participaram da votação, todos votaram a favor. Flávio Bolsonaro também registrou voto favorável remotamente enquanto cumpria agenda de campanha no Rio Grande do Sul.

O líder da legenda no Senado, Carlos Portinho, declarou apoio, mas afirmou que o partido preferia uma alternativa apresentada pelo senador Rogério Marinho.

“Como não vencemos a batalha para trazer a proposta do senador Rogério Marinho, vamos aprovar a proposta 5×2”, afirmou Portinho durante a discussão.

Na Câmara, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, também confirmou o voto favorável do partido, mas voltou a classificar a PEC como eleitoral e anunciou que a legenda pretende tentar aprovar em 2027 uma proposta diferente, baseada no pagamento por hora trabalhada.

Segundo ele, o PL pretende apresentar novamente a chamada PEC das Horas Trabalhadas, elaborada por Rogério Marinho.

Flávio defendia pagamento por hora

A mudança de posição de Flávio Bolsonaro ocorreu depois de meses de críticas à proposta.

Em maio, quando a PEC ainda tramitava na Câmara, o senador chamou a proposta de “inoportuna e eleitoreira” e afirmou que ela poderia provocar desemprego e aumento do custo de vida.

Na ocasião, Flávio defendeu uma alternativa baseada na remuneração por hora trabalhada.

“A remuneração por hora trabalhada traz liberdade, aumento da renda e proteção. Quem quer trabalhar mais ganha mais. Quem precisa de menos horas tem essa liberdade”, afirmou.

A proposta defendida pelo senador permitiria que o trabalhador escolhesse entre permanecer no regime tradicional da CLT ou adotar um contrato baseado nas horas efetivamente trabalhadas, com férias, décimo terceiro e FGTS proporcionais.

Em agosto, Flávio voltou a defender o modelo e disse que trabalharia para aprovar a proposta apresentada por Rogério Marinho caso chegasse à Presidência.

Na terça-feira (13), véspera da votação, ele mudou publicamente de posição e anunciou que votaria a favor do fim da escala 6×1.

Mesmo com o voto favorável, aliados afirmam que o modelo de pagamento por hora continua no programa defendido pelo grupo político de Flávio para 2027.

Embate começou ainda na Câmara

A PEC ganhou força no primeiro semestre, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), colocou o fim da escala 6×1 entre as prioridades da Casa.

Em abril, Motta afirmou que havia “vontade política” no Parlamento para aprovar a mudança.

“Quem acha que a Câmara vai segurar a discussão e a votação da matéria está equivocado”, disse.

Em maio, reforçou:

“Queremos votar ainda neste mês de maio, no mês do trabalhador.”

Pouco antes da votação, Motta classificou três pontos como inegociáveis: o fim da escala 6×1, a redução da jornada e a manutenção dos salários.

O texto foi aprovado pela Câmara no dia 27 de maio.

No primeiro turno, foram 472 votos a favor e 22 contra. No segundo, o placar ficou em 461 a 19.

Mesmo naquela ocasião, o PL orientou voto favorável, mas parte de seus deputados votou contra.

Parlamentares da legenda também tentaram alterar o período de transição e chegaram a apresentar uma proposta de jornada 4×3.

Sóstenes Cavalcante afirmou então:

“Já que querem ajudar o trabalhador, eu quero ver amanhã os petistas botando a sua digital. Nós vamos votar o fim da escala 6×1 para aprovar como destaque, de preferência, a jornada de quatro dias trabalhados para o trabalhador descansar três.”

O destaque acabou derrotado.

Alcolumbre destravou votação no Senado

Depois de aprovada na Câmara, a proposta permaneceu por meses no Senado.

O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a dizer que preferia deixar a votação para depois das eleições para evitar que a discussão interferisse diretamente na campanha.

A tramitação, porém, foi retomada antes do segundo turno.

Ao marcar a votação, Alcolumbre afirmou que estava cumprindo o compromisso de analisar o texto “com responsabilidade, diálogo e respeito ao rito regimental”.

Na quarta-feira, um requerimento especial permitiu que os dois turnos fossem realizados no mesmo dia.

Depois da aprovação em primeiro turno, um microfone aberto registrou Alcolumbre comemorando o resultado em conversa com o senador Camilo Santana:

“Não falei que ia dar certo?”

Texto agora segue para promulgação

Como o Senado não alterou o texto aprovado pela Câmara, a proposta segue diretamente para promulgação.

A mudança garantirá dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial, e estabelecerá a jornada máxima de 40 horas.

Segundo levantamento citado durante a tramitação, milhões de trabalhadores formais ainda cumprem jornadas superiores a 40 horas, especialmente entre as faixas salariais mais baixas.

A PEC representa a primeira redução constitucional da jornada máxima semanal desde 1988, quando a Constituição diminuiu o limite de 48 para 44 horas.

Tags: Câmara dos DeputadosCarlos PortinhoCLTDavi AlcolumbreDIREITOS TRABALHISTASescala 6x1Flávio BolsonaroHamilton MourãoHugo MottaJair Bolsonarojornada de trabalhoSenadoSóstenes Cavalcante
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