O senador Romário anunciou sua desfiliação do PL e confirmou apoio a Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. A decisão encerra uma passagem de cinco anos pela legenda e coloca o ex-jogador novamente em posição diferente daquela adotada pelo partido ao qual estava filiado.
Romário formalizou o pedido de desfiliação na sexta-feira (14). Por enquanto, segundo pessoas próximas ao parlamentar, ele permanecerá sem partido e não há negociação em andamento para ingresso imediato em outra legenda.
A saída ocorre em meio à decisão do senador de apoiar Eduardo Paes para o governo estadual e Pedro Paulo (PSD) para o Senado. O PL tem como candidato Douglas Ruas na disputa pelo Palácio Guanabara.
Em nota, Romário procurou afastar a ideia de que a saída tenha ocorrido por algum conflito pessoal dentro do partido.
“Tenho respeito pelo PL e pelas pessoas com quem caminhei nos últimos anos.”
O senador acrescentou que a decisão foi tomada com tranquilidade e representa o encerramento de um ciclo político. “Saio sem briga, sem ressentimento e com respeito por todos”, afirmou.
Apoio a Paes pesou na decisão
A divergência sobre a sucessão estadual ajuda a explicar o afastamento.
No documento encaminhado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, Romário afirmou que decidiu sair após refletir sobre os caminhos que considera melhores para o Rio de Janeiro e sobre a necessidade de ter maior liberdade de atuação durante o processo eleitoral.
O senador esteve em Brasília na quinta-feira (13) e conversou com Valdemar. A decisão de deixar formalmente a legenda, no entanto, veio depois.
Ao anunciar seu apoio a Paes, Romário reconheceu que mantém diferenças políticas com o candidato do PSD, mas afirmou que sua escolha leva em consideração principalmente a situação do Rio.
“Tenho minhas posições, o Eduardo tem as dele e não precisamos concordar em tudo.”
Para Romário, Paes reúne atualmente as melhores condições para enfrentar problemas históricos do estado. “Minha escolha está feita e vou apoiá-lo publicamente”, declarou.
A aproximação entre os dois, porém, não começou agora. Nas eleições municipais de 2024, mesmo filiado ao PL, Romário apoiou a reeleição de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio, contrariando novamente seu próprio partido, que tinha Alexandre Ramagem como candidato. Material de prestação de contas políticas divulgado pelo próprio senador naquele ano registra o apoio a Paes.
Distância do bolsonarismo
A saída também confirma um distanciamento político que vinha se tornando cada vez mais evidente entre Romário e o núcleo bolsonarista do PL.
Embora tenha ingressado na legenda em 2021 e sido reeleito senador pelo partido no ano seguinte, Romário manteve uma atuação relativamente independente no Senado e nem sempre acompanhou as posições adotadas pelo grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em 2025, por exemplo, o senador não assinou o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes apresentado por um grupo de parlamentares. Durante licença de quatro meses iniciada em dezembro daquele ano, sua cadeira foi ocupada pelo suplente Bruno Bonetti, identificado politicamente com a família Bolsonaro. Romário reassumiu o mandato em abril.
Agora, a opção por Paes torna incompatível sua permanência no partido justamente no momento em que o PL tenta construir uma candidatura própria para comandar o estado.
A movimentação também chama atenção para o futuro político de Romário. Seu mandato termina em 2030 e pessoas ligadas ao senador indicam que ele pretende disputar a reeleição. O PSD aparece como um possível destino futuro, embora aliados afirmem que não existe atualmente negociação para uma filiação ao partido de Eduardo Paes.
Antes do PL, Romário passou por PP, PSB e Podemos. Agora, inicia mais uma mudança em sua trajetória política, desta vez deixando uma das principais legendas da direita para ter liberdade de apoiar um candidato adversário do partido na eleição fluminense.


