O encerramento das convenções partidárias marcou uma virada na disputa pelo Governo de Minas Gerais. Depois de semanas de negociações, desistências, mudanças de estratégia e impasses, o tabuleiro político foi completamente reorganizado. O principal fato foi a saída do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) da disputa, apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto durante toda a pré-campanha. A decisão abriu espaço para novas alianças e transformou uma eleição que parecia caminhar para um favoritismo em uma disputa muito mais equilibrada.
Durante meses, Cleitinho evitou confirmar oficialmente sua candidatura. Mesmo com o apoio antecipado do PL e liderando os levantamentos eleitorais, o senador deixou a decisão para o limite do calendário eleitoral, faltou à convenção do Republicanos e chegou a anunciar que não disputaria o cargo. No dia seguinte, voltou atrás e tentou reverter a situação na convenção nacional do partido, mas teve o pedido rejeitado pelo presidente da legenda, Marcos Pereira. O episódio encerrou uma das maiores novelas políticas da pré-campanha mineira.
A indefinição de Cleitinho produziu um efeito em cadeia. O PL, que aguardou sua decisão até os últimos dias, acabou lançando o empresário Flávio Roscoe como candidato ao governo, garantindo um palanque próprio para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. A legenda confirmou ainda o deputado federal Domingos Sávio como candidato ao Senado, encerrando meses de expectativa em torno de uma eventual aliança com o Republicanos.
Outra mudança importante ocorreu no grupo do governador Mateus Simões (PSD). Depois do rompimento político com o ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), havia dúvidas sobre o posicionamento da federação formada por União Brasil e Progressistas. Nos últimos momentos das convenções, entretanto, a federação decidiu apoiar a reeleição de Simões e indicou o ex-secretário Danilo de Castro para a vaga de vice-governador. Marcelo Aro permaneceu na disputa, mas como candidato avulso ao Senado, encerrando um dos principais impasses da centro-direita mineira.
No campo da esquerda, o deputado federal Patrus Ananias (PT) também concluiu sua chapa apenas no fim do prazo. Após dias de negociações, o PSB confirmou o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior como candidato a vice-governador. A composição reproduz em Minas Gerais a aliança nacional entre PT e PSB, que sustenta a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A chapa ainda conta com o apoio de PCdoB, PV, PSOL e Rede.
Já o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) confirmou o médico e ex-deputado federal Carlos Mosconi (PSDB) como vice, enquanto o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB) escolheu a vereadora de Montes Claros Maria Helena Lopes para completar sua chapa.
Disputa fica mais aberta
Se antes a eleição girava em torno da possibilidade de Cleitinho transformar sua liderança nas pesquisas em candidatura, o cenário agora é outro. Com sua saída, desaparece o único nome que aparecia isolado na frente dos adversários nos levantamentos divulgados até aqui. A tendência é que os votos do senador sejam disputados principalmente entre os candidatos posicionados ao centro e à direita, especialmente Mateus Simões e Flávio Rosco, enquanto Patrus Ananias e Alexandre Kalil tentam consolidar seus espaços em um ambiente político mais fragmentado.
Outro aspecto que chama atenção é a pulverização da disputa. Diferentemente das últimas eleições estaduais, Minas chega ao início oficial da campanha sem um favorito consolidado entre os candidatos homologados. As alianças fechadas nos últimos dias ampliaram o tempo de propaganda eleitoral e a estrutura partidária de algumas candidaturas, mas o desempenho nas ruas e no horário eleitoral deverá ganhar peso decisivo nas próximas semanas.
Com o encerramento das convenções, as articulações de bastidores dão lugar à campanha propriamente dita. Até 15 de agosto, os partidos ainda precisam registrar oficialmente suas candidaturas na Justiça Eleitoral. A partir daí, começa uma nova etapa da corrida pelo Palácio Tiradentes, marcada por um cenário mais imprevisível do que se imaginava há poucas semanas.


