Três policiais militares morreram na queda de uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais na tarde desta sexta-feira (9), em Santana do Paraíso, no Vale do Aço.
As vítimas foram identificadas como o tenente-coronel Luiz Fernando Silvestre, de 49 anos, e as tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35, e Alice dos Santos Oliveira Almeida, de 34. Os três integravam o Comando de Aviação do Estado (Comave).
A aeronave era o Pégasus 17, um bimotor turbo-hélice Beechcraft Super King Air 300, de prefixo PP-EJO.
Segundo a Polícia Militar, o avião decolou do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16 e pousou normalmente no Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, às 15h59.
Depois do pouso, a aeronave voltou a decolar. Foi após essa nova decolagem que ocorreu o acidente, nas proximidades do terminal, na região do córrego Garrafinha e do km 43 da BR-458.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h20. A aeronave ficou destruída após a queda e o impacto provocou também um incêndio na vegetação próxima.
Os três militares morreram no local.
Voo era de rechecagem de habilitação
De acordo com a PMMG, os oficiais realizavam um voo periódico e obrigatório de rechecagem de habilitação, procedimento previsto no programa de treinamento operacional da corporação para manutenção das qualificações dos pilotos.
A informação afasta versões iniciais de que o acidente teria ocorrido durante a chegada do avião vindo de Belo Horizonte. A aeronave havia pousado normalmente no Vale do Aço e já realizava uma nova etapa do voo quando caiu.
Testemunhas relataram que, depois dessa nova decolagem, o avião teria realizado uma tentativa de pouso seguida de arremetida antes de perder altitude.
Dados preliminares de rastreamento aéreo citados por veículos especializados também apontam para uma possível arremetida e uma curva à esquerda antes da queda.
Essa dinâmica, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Quem eram os militares
O tenente-coronel Luiz Fernando Silvestre comandava o Esquadrão de Aviões do Comave e era um dos pilotos mais experientes da Polícia Militar de Minas Gerais.
Natural de Belo Horizonte, ele acumulava mais de 5 mil horas de voo e mais de duas décadas de atuação na corporação, com cerca de 19 anos dedicados à aviação de segurança pública. Silvestre também atuava como instrutor de voo.
A tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende ingressou na Polícia Militar em 2017. Em 2023, tornou-se a primeira mulher da PMMG habilitada a pilotar aeronaves de asa fixa no Comave.
Gabriela acumulava aproximadamente 300 horas de voo e havia retornado recentemente da licença-maternidade.
A tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida também integrava o Comave, atuando como piloto e em atividades relacionadas à manutenção de aeronaves da corporação. Ela tinha aproximadamente 300 horas de voo.
Os três estavam em serviço no momento do acidente.
Aeronave estava regular, diz PM
O Pégasus 17 integrava a frota aérea da Polícia Militar e era utilizado em operações de segurança pública, deslocamento de equipes e autoridades e transporte de órgãos destinados a transplantes.
Segundo a PMMG, a aeronave estava com a documentação e a manutenção regulares e havia passado por modernização de equipamentos. Os militares também estavam com as habilitações exigidas para a atividade aérea em dia.
Até o momento, não há confirmação oficial de falha mecânica, erro de pilotagem ou qualquer outra causa para o acidente.
Cenipa investiga a queda
A investigação aeronáutica ficará sob responsabilidade do Cenipa, com participação do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos.
Os investigadores deverão analisar os destroços, registros de manutenção, condições meteorológicas, informações sobre o voo, dados de rastreamento e demais evidências recolhidas no local.
A investigação deverá esclarecer também a sequência de manobras realizadas após a segunda decolagem e confirmar se houve efetivamente uma tentativa de pouso seguida de arremetida.
As operações do Aeroporto Regional do Vale do Aço não foram interrompidas pelo acidente.
Governo decreta luto de três dias
O Governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias pela morte dos policiais.
Em nota, o Estado manifestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da Polícia Militar e destacou a trajetória dos três oficiais na segurança pública e na aviação da corporação.
O acidente ocorreu no mesmo dia em que outro avião caiu em Belo Horizonte. Pela manhã, um monomotor atingiu o pátio de manutenção do Metrô BH, no bairro São Gabriel, causando a morte do piloto, único ocupante da aeronave.


