O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4, arquivar o pedido de abertura de investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelas citações ao seu nome encontradas nas conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O julgamento durou cerca de seis horas e terminou empatado em 4 a 4 entre os conselheiros. Coube ao vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino, dar o voto decisivo pelo arquivamento.
Gonet é o presidente do CSMPF, mas não participou do julgamento. Por isso, a sessão foi comandada por Dino.
O voto que prevaleceu foi o do relator, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, que entendeu não haver elementos mínimos para justificar a abertura de uma investigação contra o procurador-geral.
Sanseverino destacou que não foram encontradas mensagens diretas entre Gonet e Vorcaro e que o telefone do procurador-geral não estava salvo no aparelho do ex-banqueiro.
“Não há o registro de comunicação direta entre o investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet”, afirmou o relator.
O subprocurador também considerou as explicações de Gonet sobre o encontro com Vorcaro durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O procurador-geral sustenta que o contato ocorreu em ambiente social, na presença de outras autoridades, e nega relação de proximidade com o ex-banqueiro.
Conselho ficou dividido
A divergência foi aberta pela conselheira Janice Ascari, que defendeu a designação de um subprocurador para aprofundar a apuração antes de eventual arquivamento.
Para ela, embora os elementos disponíveis não fossem suficientes para instaurar imediatamente uma investigação criminal, havia pontos que ainda precisavam ser esclarecidos.
Também votaram pela continuidade da apuração Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coêlho Santos.
Do outro lado, acompanharam o arquivamento defendido pelo relator Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis, Hindemburgo Chateaubriand e, no voto de desempate, Nicolao Dino.
Gonet permanece no caso Master
O Conselho também analisou pedidos para retirar Gonet da atuação nos processos relacionados ao Banco Master.
Os conselheiros entenderam que o CSMPF não tem competência para declarar o procurador-geral suspeito ou impedido nos processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Eventual decisão nesse sentido caberia ao próprio STF.
Com isso, Gonet permanece à frente da Procuradoria-Geral da República nos procedimentos relacionados ao caso Master.
O procedimento analisado pelo Conselho foi aberto depois da divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro.
Em uma delas, enviada em novembro de 2025, pouco antes de ser preso, o ex-banqueiro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e perguntou se seria possível “reverter isso com Paulo ou Andrei”, em referência a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Também veio a público uma fotografia de abril de 2024 em que Gonet aparece com Vorcaro durante um encontro em Londres. O procurador-geral afirmou que sua interação com o então banqueiro foi “brevíssima e banal” e negou amizade ou proximidade com ele.
Com a decisão desta sexta-feira, o Conselho encerrou o procedimento sem designar outro subprocurador para investigar Gonet.


