O patrimônio declarado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) à Justiça Eleitoral saltou de R$ 36,8 mil, em 2022, para R$ 3,898 milhões em 2026, uma evolução de aproximadamente 10.489% em quatro anos.
Eleito em 2022 com cerca de 1,49 milhão de votos, a maior votação para deputado federal naquele pleito, Nikolas volta a disputar uma cadeira na Câmara e apresentou neste ano uma declaração de bens R$ 3,86 milhões superior à registrada na eleição passada.
Os números constam no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, seus bens eram formados essencialmente por aplicações financeiras, saldos bancários e poupança. Agora, a declaração inclui imóvel, fundos, títulos públicos, ações, participações empresariais e diferentes aplicações financeiras.
A maior parcela é uma casa declarada por R$ 2.231.664,61. O imóvel, porém, foi adquirido por financiamento e ainda possui saldo devedor de R$ 1.720.620,18. Isso significa que o valor integral da casa aparece entre os bens declarados, embora boa parte ainda esteja vinculada à dívida do financiamento.
Além do imóvel, Nikolas declarou aproximadamente R$ 597 mil em fundos de renda fixa, R$ 355 mil em contas de investimentos, R$ 253 mil em outras aplicações de renda fixa, R$ 130 mil em títulos públicos, além de ações, fundos e participações societárias.
Quanto seria possível acumular apenas com o salário de deputado?
Nikolas assumiu o mandato de deputado federal em fevereiro de 2023. Desde então, o salário bruto dos parlamentares passou por reajustes definidos pelo Congresso.
No início do mandato, o subsídio mensal era de R$ 39.293,32. Em abril de 2023, passou para R$ 41.650,92; em fevereiro de 2024, para R$ 44.008,52; e desde fevereiro de 2025 está em R$ 46.366,19.
Considerando esses valores e fazendo uma conta hipotética até agosto deste ano, Nikolas teria recebido aproximadamente R$ 1,95 milhão em salários brutos desde que assumiu a Câmara.
A estimativa parte de uma situação impossível na vida real: pressupõe que o deputado não tivesse pago Imposto de Renda, contribuição previdenciária, moradia, alimentação ou qualquer outra despesa e tivesse guardado integralmente todos os vencimentos.
Mesmo assim, os salários brutos acumulados ficariam cerca de R$ 1,95 milhão abaixo dos R$ 3,898 milhões em bens declarados atualmente.
Isso não significa, porém, que exista irregularidade. Salário parlamentar não é a única fonte de renda declarada por Nikolas.
Em resposta às reportagens sobre sua evolução patrimonial, o deputado afirmou que possui atividades privadas além do mandato, incluindo comercialização de cursos e livros, realização de palestras, participação em empresas e receitas relacionadas a plataformas digitais e redes sociais.
“Não há nada de errado em prosperar, crescer e construir patrimônio com trabalho honesto”, afirmou Nikolas ao reagir às críticas sobre o aumento dos bens.
O parlamentar também destacou que mais da metade do valor do imóvel declarado ainda corresponde a financiamento e que a comparação direta entre o patrimônio de 2022 e o de 2026 não retrataria, segundo ele, sua situação patrimonial líquida.
De fato, se o saldo devedor de R$ 1,72 milhão for descontado do total declarado ao TSE, o valor líquido aproximado dos bens cairia para R$ 2,18 milhões. Ainda assim, a comparação com 2022 mostra uma elevação significativa em apenas quatro anos.
A própria composição da declaração ajuda a explicar parte dessa diferença. Em 2022, Nikolas ainda não exercia mandato federal e havia informado pouco mais de R$ 36 mil em bens. Nos quatro anos seguintes, passou a receber o salário de deputado federal e ampliou suas atividades privadas.
Os dados eleitorais, por si só, não permitem determinar quanto do crescimento patrimonial veio dos salários, quanto resultou de investimentos e quanto teve origem nas demais atividades profissionais declaradas pelo parlamentar.
O que é possível afirmar é que o salário de deputado federal, isoladamente, não seria suficiente para formar os R$ 3,9 milhões declarados em 2026, mesmo sob a hipótese extrema de que nenhum centavo dos vencimentos brutos tivesse sido gasto ao longo do mandato.
A diferença é explicada, segundo Nikolas, pela combinação entre financiamento imobiliário, aplicações financeiras e rendimentos provenientes de atividades privadas.


