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Home Colunas

PALAVRAS ENGRAÇADAS

Por Nilson Lattari
24 de junho de 2022 - 08:37
em Colunas

Foto: Marc Schaefer en Unsplash - 

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Deveria existir figura de linguagem para palavras engraçadas. Uma espécie de lazer para os estudantes que perdem horas decorando todas as outras. Por que existe enquadramento para onomatopeias (que, por si só, é engraçada), prosopopeia, catacrese, cacófatos e outras, mas, para palavras engraçadas, não? Claro, existem as situações engraçadas ou desconcertantes como, por exemplo, o famoso inconstitucionalissimamente, que assim como a fórmula de Báskara não temos a menor ideia de onde usá-las. Ou seja, as outras ciências também têm das suas curiosidades.

Lá, nas outras línguas, outras existem, pelo menos para nós, como quando alguém oferece um “handkerchief” assim de supetão. Dá para levar um susto: “Como? Onde coloco isso?”.

Quando adquiri meu primeiro carro, o vendedor conversava comigo na esquina da Figueiredo Magalhães e Atlântica e vimos passar um Corcel – o carro, naturalmente. Todo amassado (aliás, eu nunca vi uma marca de carro com uma relação com o amassado, assim como o Chevette com a cor-de-rosa). Lá vinha ele barulhento, um para-choque solto em um dos lados e o motorista com os braços para fora do veículo, gritando com efusão, em cumprimentos ao vendedor que eu acabava de concluir o negócio.

Incontinenti, perguntei a ele se era um conhecido, possivelmente se teria sido o vendedor daquele veículo, o que me fez olhar com certo pesar para o meu primeiro carro e fusca, ali ao lado, e o seu futuro não muito brilhante.

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“Não”, disse-me ele, “é um inglês”. Isso não teria uma destinação certa na qualificação se não fosse o complemento que fizera. “Ele diz que adora no Brasil é essa ‘esculhambaçon’”.

Fiquei pensando logo depois como é engraçada essa palavra: esculhambação. A própria arrumação dela com seus eles e hagás, como se fosse uma montanha-russa contornando cada letra rumo ao seu final retumbante, como uma gargalhada interminável de um gago engasgado. No mesmo instante me veio o ar desengonçado (Epa! mais uma!), lembrando o mamulengo, essa figura nordestina dada à marionete. O que seria um mamulengo esculhambado? O próprio mamulengo tem o andar esculhambado, desarrumado, se ainda for destrambelhado, praticamente uma figura pleonástica.

Figura pleonástica sugere um ataque de qualquer coisa. Fulano teve um ataque pleonástico, que seria como cair em si mesmo, tornar-se circunspecto, voltar a si, ensimesmado, uma situação redundante, sem necessariamente ser redonda. Imaginemos que fosse motivo para ser socorrido. Ao chegar a ambulância, cujo nome é impresso de trás para frente no veículo automotor (aicnâlubma), é comunicado que será conduzido a um nosocômio. “Onde? Como? Não, coisa pouca, imagine o que minha mulher e meus filhos pensariam ao receber uma ligação: Senhora, seu marido encontra-se em estado pleonástico no nosocômio do centro da cidade”.

“Isso nunca prestou!”, aproveitaria a mulher para dizer poucas e boas do santo marido, acusando-o por estar frequentando ou ser conduzido para local tão inusitado, que, por via das dúvidas, seria tudo, menos uma casa hospitalar. Antes fosse conduzido a um meretrício. Outra situação bem estranha essa de meretrício e meritíssimo, que alguns sugerem nas rodas furtivas das piadas como meretríssimo. Outros sugerem zona do baixo meretrício. Então, existe um alto meretrício? Um atentado à moral.

Farfalhando, balacobaco, a tão comum piriguete – uma piriguete matusquela esculachando a perereca. Depois vem o troço. “Tira esse troço daí!” Ao mesmo tempo em que provoca um certo asco, nos traz uma curiosidade. Sem trocadilhos, um troço cabe em qualquer lugar, sem troçar com ninguém. Mulher brigada com o marido, político rejeitando corrupção, zagueiro de futebol gritando para os companheiros de defesa, gente feia entrando em festa do cabide, cabelo no meio da feijoada… sei lá, mil troços.

Já passei vergonha quanto tentei consertar alguém que havia dito que sua perna doía porque tinha trupicado num galho de árvore. Eu estava mais ou menos certo, o correto seria tropicar, tropeçar seguidamente. Primeiro o sujeito tropeça, depois sai tropicando. E daí, chegamos ao trumbica, se tremelica, estrebucha.

Claro, que quando alguém em uma recepção anuncia o meu nome: “Sr. Francisnaldo!”, eu não acho a menor graça. Meu nome é apenas excesso de imaginação da minha mãe.

Tags: ColunaNilson Lattari
Nilson Lattari

Nilson Lattari

Crônicas e Contos. NILSON LATTARI é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br, vencedor duas vezes do Prêmio UFF de Literatura (2011 e 2014) e Prêmio Darcy Ribeiro (Ribeirão Preto 2014). Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romance no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em crônicas, contos e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. "Ambos levam ao infinito, porém, em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação".

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