Opinião – Por Júlio César Cardoso*
Flávio Bolsonaro, após amargar uma derrota presidencial por mais de 4 milhões de votos, parece ter decidido que o verdadeiro problema não era o resultado, mas a desagradável existência dele. Enquanto a Justiça Eleitoral e até o próprio partido que sustentava sua candidatura aceitavam o desfecho da disputa, o candidato preferiu cultivar dúvidas e suspeitas, como quem procura um controle remoto perdido que está bem na sua frente.
Em vídeo, garantiu que não deixaria o Brasil. A promessa, porém, teve vida curta: pouco depois, embarcou para os Estados Unidos, numa mudança de planos tão repentina que deixou apoiadores e aliados políticos tentando montar um quebra-cabeça sem a peça principal.
O espetáculo foi completo. Parlamentares e correligionários, que até então defendiam discursos firmes e resolutos, ficaram encarregados da difícil missão de explicar o inexplicável. O resultado foi uma coleção de justificativas confusas, semblantes desconcertados e uma sensação geral de que ninguém havia recebido o roteiro atualizado.
Na plateia, figuras como Rogério Marinho, Nikolas Ferreira, Bia Kicis, Alfredo Gaspar, Luciano Zucco, Marcel van Hattem e outros aliados assistiram à cena com o ar de quem chegou cedo ao teatro e descobriu que o protagonista já tinha deixado o palco pela saída dos fundos. Moral da história: nada desorienta mais os fiéis seguidores do que ver o capitão abandonar o barco.
Às viúvas desamparadas políticas de Flávio e Jair Bolsonaro, os nossos mais sentidos pêsames: perderam as eleições nacionais e ainda tiveram o dissabor de assistir ao naufrágio eleitoral de Trump nas eleições de meio mandato americanas, periclitando a permanência nos EUA dos fugitivos irmãos poltrões.

*Júlio César Cardoso é servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-SC


