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Home Colunas

O DEBATE DA GLOBO

Por Ediel Ribeiro
2 de outubro de 2026 - 15:08
em Colunas
O DEBATE DA GLOBO

Divulgação / TV Globo

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Rio – Pouca gente sabe – na verdade, só nós jornalistas -, que há poucas horas do debate da TV Globo, Flávio Bolsonaro teve uma crise de pânico.

Ainda não foi noticiado, e certamente Flávio Bolsonaro negará, mas existem informações de fontes confiáveis – compradas com algumas moedas – que provam que o Zero Um teve uma crise de choro e, soluçando, se negou a participar do último debate antes da eleição.

A cena, foi mais ou menos essa:

Na última reunião com assessores, antes do debate, sem nenhum aviso prévio, Flávio Bolsonaro, com cara de choro, reuniu seus assessores e anunciou:

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– Eu não vou participar do debate da TV Globo.

Os assessores ficaram mudos. Ninguém conseguia entender nada. Todos estavam mais perdidos que cupim em serralheria.

– Mas, senador – ouviu-se uma voz tímida, no fundo da sala – o senhor confirmou que iria ao debate, mesmo sem a presença do presidente Lula.

– Que palhaçada é essa, Flávio – gritou Valdemar da Costa Neto, presidente do PL. – Cagão!

– Eu não vou! E se eles perguntarem sobre a rachadinha; a loja de chocolate; os 107 imóveis; a mansão de Brasília; a milícia; o filme Dark Horse; o dinheiro do Daniel Vorcaro. O que eu falo? – questionou o Zero Um – Você sabe que eu desmaio, concluiu.

Um assessor foi didático:

– Não se preocupe, senador. Tá tudo controlado. A Globo já montou o palco, preparou o cenário, escolheu os debatedores e estabeleceu as regras. Ninguém vai fazer esse tipo de pergunta ao senhor. Só vão estar lá os ‘nossos parceiros’ Zema, Caiado e Augusto Cury. Eles estaram lá para servir de escada para o senhor. Serão uma espécie de padre Kelmon.

– E o Renan Santos? Ele não gosta de mim. Já me chamou de miliciano, de ladrão, de rachadinha – disse Flávio.

– O Renan está fora. Ele não vai participar do debate. A Globo já decidiu – disse Valdemar.

– Mesmo ele estando em terceiro lugar nas pesquisas? – questionou Flávio.

– Nós demos nosso jeito! – disse um assessor, franzindo de leve as sobrancelhas.

– E se eles me perguntarem sobre o meu plano de governo? – questionou o candidato. – Meu plano é tirar Bolsonaro da cadeia, impedir que investiguem os casos da rachadinha e rastreiam o dinheiro do Vorcaro para o filme. Eu posso dizer isso?

– Não! Claro que não! A idéia não é apresentar projetos, confrontar idéias ou explicar propostas. É lacrar! – disse um assessor – O senhor vai fazer perguntas constrangedoras para o púlpito vazio, com o nome do presidente Lula. E como o púlpito não vai responder, o senhor terá sempre razão.

– Verdade. Quem cala consente, né? – alegrou-se o senador.

De repente, um assessor trouxe uma notícia nova:

– Senador, senador, a Justiça Eleitoral proibiu a TV Globo de exibir o púlpito vazio com o nome do presidente Lula.

– E agora? Pra quem eu vou fazer minhas perguntas? – perguntou o senador.

Outro assessor invadiu a sala correndo:

– Senador, senador, o ministro Gilmar Mendes autorizou Renan Santos (Missão) a participar do debate.

Ouviu-se um baque surdo. O senador desmaiou.

Tags: Colunasdebate da GloboEdiel Ribeiroeleições 2026Flávio BolsonaroGilmar MendeshumorpolíticaRenan Santossátira políticaTV Globo
Ediel Ribeiro

Ediel Ribeiro

"Coluna do Ediel" Ediel Ribeiro é carioca. Jornalista, cartunista e escritor. Co-autor (junto com Sheila Ferreira) do romance "Sonhos são Azuis". É colunista dos jornais O Dia (RJ) e O Folha de Minas (MG). Autor da tira de humor ácido "Patty & Fatty" publicadas nos jornais "Expresso" (RJ) e "O Municipal" (RJ) e Editor dos jornais de humor "Cartoon" e "Hic!". O autor mora atualmente no Rio de Janeiro, entre um bar e outro.

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