Rio – Caciques do Partido Liberal andam preocupados com a enorme rejeição eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro, a poucos dias da eleição.
A maioria das pesquisas apontam o declínio do candidato do PL a partir das mentiras e confusões em que o candidato da extrema direita à presidência da República se meteu.
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, reuniu a cúpula do partido para encontrar uma solução para reverter a situação do seu candidato.
– Se tudo continuar do jeito que está, o presidente Lula vai se reeleger no primeiro turno – gritou Valdemar – tá mais fácil que empurrar bêbado na ladeira.
Várias sugestões foram apresentadas. A maioria delas, Valdemar anotou cuidadosamente em um bloquinho, e jogou fora.
De repente, um parlamentar, lá no fundo da sala, levantou a mão e sugeriu uma solução. A idéia é tão simples que tenho certeza de que os marqueteiros da campanha do senador darão pulos de raiva por não terem pensado nela antes.
Eis a sugestão do parlamentar: “espalhem que o senador sofreu um atentado contra sua vida. A campanha do Jair estava no fundo do poço, até a facada sofrida em Juíz de Fora, lembram?”.
– Como vamos fazer isto? – questionou outro parlamentar – não podemos inventar outra facada. É óbvio demais.
– Um tiro – sugeriu um parlamentar da bancada da bala – a popularidade do Donald Trump aumentou muito depois que ele tomou um tiro na orelha.
Flávio Bolsonaro – que até então estava sentado, apagando do celular todos os contatos do Daniel Vorcaro, do pastor André Valadão e da dona da Go Up Entertainment, Karina da Gama, alheio a discussão – manifestou-se:
– Nada de tiro, meu irmão! Vocês não leem o jornal? Eu ontem sofri um atentado, durante a carreata em Goiânia. Tá filmado e tudo. Vocês podem explorar esse episódio – berrou com os marqueteiros.
– Flávio, você sofreu um atentado? – quis saber Valdemar. – Porque você não falou nada sobre isso?
– Aqui, ó – disse o senador, mostrando um vídeo no celular. A manchete: “Flávio Bolsonaro classificou como “tentativa de homicídio” o fato de ovos terem sido arremessados ontem contra ele em uma carreta de sua campanha em Goiânia”.
Na tela, Flávio em cima de um trio elétrico, berra: “Se alguém souber qual o apartamento desse meliante, passa para a polícia. Ele está colocando a vida de pessoas em risco aqui, se esse ovo pega na cabeça de alguém, isso mata, isso é tentativa de homicídio” – gritou Flávio.
– Tentaram matar o senhor com um ovo? – questionou Valdemar, segurando o riso.
– Que sorte, senador, logo o senhor que é a favor do uso de arma de fogo. Mas como vamos alegar atentado contra a vida do senhor, sem que se tenha derramado uma gota de sangue? – perguntou o parlamentar.
Outro parlamentar defendeu a tese do senador:
– Você sabe que o nosso eleitor é aquele eleitor que ora para alienígena e bebe detergente, né? Eles acreditam em qualquer coisa. No atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, também não se derramou uma gota de sangue. Quem reza pra pneus, acredita em qualquer coisa.
Valdemar concordou com a idéia. A grande vantagem do plano é que não aumentaria em nenhum centavo os custos da campanha.
– Ótima idéia. Vamos culpar o Lula, o Alexandre de Moraes e as galinhas. Se o plano do atentado funcionar, acho que o senador será eleito com uma grande margem de votos. Afinal, ninguém pode ser a favor de um candidato que tentou matar o seu concorrente em plena campanha eleitoral – ainda mais usando uma arma tão letal – concluiu Valdemar.
A notícia do atentado contra o candidato à presidência da República, logo se espalhou.
Não sei ainda qual será o efeito nas eleições, mas a notícia teve impacto imediato no preço da cesta básica: eleitores de esquerda de todo o país correram aos supermercados à procura de ovos, fazendo o preço do produto subir em 50%.
Todo mundo quer ter o seu arsenal em casa.


