A primeira pesquisa Genial/Quaest divulgada após o início das convenções partidárias redesenha o cenário da disputa pelo Governo de Minas Gerais e indica que, neste momento, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) larga em posição confortável na corrida ao Palácio Tiradentes. O levantamento mostra o parlamentar com 35% das intenções de voto, quase três vezes mais que o segundo colocado, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que aparece com 12%, seguido pelo deputado federal Patrus Ananias (PT), com 10%.
Atrás do trio aparecem o governador Mateus Simões (PSD), com 6%, o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), com 4%, e Ben Mendes (Missão) e Flávio Roscoe (PL), ambos com 2%. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca Kalil e Patrus em empate técnico pela segunda posição. A pesquisa registrada na Justiça Eleitoral sob o número MG-034/90/2026 ouviu 1.482 eleitores entre os dias 22 e 26 de julho e possui nível de confiança de 95%.
Liderança de Cleitinho se consolida
Mais do que a vantagem numérica, o levantamento revela um aspecto importante da disputa mineira: Cleitinho mantém um eleitorado consolidado e, até o momento, consegue ocupar praticamente sozinho o espaço do eleitor conservador e antipolítica tradicional.
O senador já aparecia à frente em pesquisas anteriores, mas a nova rodada da Quaest confirma que sua liderança permanece estável mesmo após a definição de novos candidatos e o início da fase mais intensa da pré-campanha. Em um cenário fragmentado, seus 35% representam uma vantagem confortável sobre todos os adversários.
Outro dado que reforça sua posição é o desempenho nas simulações de segundo turno. Em todos os cenários testados, Cleitinho aparece à frente dos concorrentes. Contra Alexandre Kalil, venceria por 44% a 29%. Em uma eventual disputa contra Patrus Ananias, abriria vantagem de 46% a 31%. Já diante de Mateus Simões, o placar seria de 46% a 15%.
Disputa pelo segundo lugar permanece indefinida
Se a liderança parece consolidada, o mesmo não pode ser dito da segunda colocação.
Alexandre Kalil e Patrus Ananias aparecem separados por apenas dois pontos percentuais, dentro da margem de erro da pesquisa. O cenário evidencia uma divisão do eleitorado de oposição a Cleitinho, especialmente no campo da centro-esquerda.
Kalil mantém força principalmente pelo capital político acumulado durante os dois mandatos como prefeito de Belo Horizonte e pela elevada lembrança do eleitorado. Patrus, por sua vez, entra oficialmente na disputa com o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tenta unificar o voto petista em Minas Gerais.
A tendência é que ambos disputem o mesmo espaço político ao longo da campanha, tornando a consolidação de um nome competitivo um dos principais desafios da esquerda e da centro-esquerda no estado.
Mateus Simões enfrenta desafio da visibilidade
Outro dado que chama atenção é o desempenho do governador Mateus Simões, que registra apenas 6% das intenções de voto.
Embora esteja há poucos meses no comando do Executivo estadual, após a renúncia de Romeu Zema para disputar a Presidência da República, Simões ainda não conseguiu converter a exposição proporcionada pelo cargo em intenção de voto suficiente para entrar na disputa direta pela liderança.
Do ponto de vista político, o desafio do governador será transformar a máquina administrativa em ativo eleitoral sem que a campanha fique excessivamente vinculada ao legado de Zema. Ao mesmo tempo, precisará ampliar sua visibilidade no interior do estado, onde Cleitinho possui forte presença.
Polarização ainda não está consolidada
Embora Cleitinho lidere com ampla vantagem, o cenário eleitoral mineiro ainda está longe de ser definitivo.
O início oficial das campanhas, o horário eleitoral e a formação das alianças partidárias podem alterar significativamente o quadro, sobretudo porque a disputa pelo segundo lugar permanece aberta e tende a concentrar parte importante da movimentação política nas próximas semanas.
Outro fator relevante é que Minas Gerais costuma apresentar campanhas bastante dinâmicas, nas quais candidatos conseguem crescer durante o período eleitoral, especialmente quando aumentam a exposição na televisão, no rádio e nas redes sociais.
Minas volta ao centro da disputa nacional
Historicamente considerado um dos principais colégios eleitorais do país, Minas Gerais costuma desempenhar papel decisivo nas eleições presidenciais e estaduais.
A liderança de Cleitinho também interessa às articulações nacionais. O senador mantém proximidade com o campo conservador, enquanto Kalil e Patrus representam grupos políticos alinhados ao presidente Lula. Já Mateus Simões busca preservar o legado administrativo de Romeu Zema e manter a influência do grupo que governa Minas desde 2019.
Com pouco mais de dois meses até a votação, a tendência é que a disputa se intensifique, principalmente entre os candidatos que tentam chegar ao segundo turno para enfrentar o atual líder da corrida eleitoral.


