A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã segue cercada de sinais contraditórios. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o conflito estaria próximo do fim, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que a ofensiva militar ainda está longe de terminar.
Em visita ao Centro Nacional de Comando Sanitário, na noite de segunda-feira (9), Netanyahu afirmou que as operações contra o Irã continuam e que o objetivo é enfraquecer a liderança política e religiosa do país.
“Nossa aspiração é que o povo iraniano se liberte do jugo da tirania; em última instância, isso depende deles. Mas não há dúvida de que, com as medidas tomadas até agora, estamos quebrando seus ossos e ainda não terminamos”, declarou o premiê israelense, segundo comunicado divulgado por seu gabinete.
A declaração ocorre poucos dias após o início da escalada militar no Oriente Médio. O conflito ganhou intensidade depois de bombardeios conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra território iraniano em 28 de fevereiro, desencadeando uma sequência de ataques e retaliações.
Divergência com Trump sobre o fim da guerra
As declarações de Netanyahu contrastam com o tom adotado por Trump. Em entrevista recente à rede CBS, o presidente norte-americano afirmou que o confronto estaria “praticamente concluído” e poderia terminar em breve.
Horas depois, porém, o próprio Trump endureceu o discurso e afirmou que os Estados Unidos poderiam realizar ataques “vinte vezes mais fortes” do que os já realizados caso o Irã mantenha sua postura militar.
Do lado iraniano, o governo reagiu dizendo que Teerã decidirá quando a guerra terminará e voltou a descartar qualquer possibilidade de cessar-fogo neste momento.
Segundo autoridades israelenses ouvidas pela agência Reuters, o governo de Israel trabalha com a hipótese de que Trump possa determinar o fim das operações a qualquer momento. Por isso, as forças israelenses estariam tentando intensificar os ataques e ampliar os danos ao Irã enquanto o apoio militar norte-americano permanece ativo.
Repercussão imediata nos mercados
A possibilidade de um encerramento do conflito teve impacto direto no mercado financeiro internacional. No Brasil, a sinalização de Trump sobre o possível fim da guerra ajudou a reduzir as tensões entre investidores.
O dólar comercial fechou a segunda-feira (9) cotado a R$ 5,165, com queda de 1,52%. A moeda chegou a abrir o dia em R$ 5,28, mas perdeu força ao longo da sessão.
Com o recuo, o dólar atingiu o menor nível desde 27 de fevereiro, véspera do início dos bombardeios contra o Irã.
O euro também registrou queda e encerrou o dia cotado a R$ 5,99, ficando abaixo de R$ 6 pela primeira vez desde fevereiro do ano passado.
No mercado de ações, o índice Ibovespa, da B3, avançou 0,86% e terminou o pregão aos 180.915 pontos.
Petróleo recua após fala de Trump
O mercado internacional de petróleo também reagiu rapidamente às declarações do presidente norte-americano.
Durante a madrugada, o barril do petróleo tipo Brent — referência nas negociações internacionais — chegou a se aproximar de US$ 120 devido ao temor de interrupção no fornecimento global.
Após a fala de Trump sobre o possível fim da guerra, o preço recuou e passou a ser negociado em torno de US$ 88 o barril.
Outros fatores também ajudaram a aliviar as tensões no mercado energético. Países do G7 anunciaram medidas para garantir estabilidade no setor de energia.
Além disso, o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o país pode enviar fragatas para proteger navios que cruzam o Estreito de Ormuz, região estratégica que chegou a ser bloqueada pelo Irã durante a escalada do conflito.






